O que a respiração faz no cérebro

A respiração é um processo exercido inconscientemente, que tem efeitos que não se imagina. Ela vigia o organismo, mostrando quando há alterações no estado físico ou emocional.
Por exemplo: a respiração acelerada, pode demonstrar estresse, medo, irritação ou alegria. Ao contrário, a respiração mais lenta e profunda pode expressar relaxamento, calma, sossego.

A respiração pode ser:
1) Inconsciente ou torácica, aquela que é exercida normalmente, e que regula as funções autônomas do organismo, ou seja, a circulação do sangue, controle de temperatura, digestão, etc.

2) Consciente ou diafragmática, que é a mais eficiente. Esta respiração aumenta o volume e a pressão do oxigênio que entra no corpo, saciando a capacidade pulmonar. Dessa forma, a irrigação cerebral torna-se mais efetiva e seu funcionamento mais eficiente. Isso ajuda a criar sossego mental e tranquilidade, além de favorecer as conexões entre os neurônios.
A respiração consciente, pode melhorar o funcionamento dos sistemas digestivo, circulatório, entre outros. É capaz de promover melhorias nas áreas do cérebro associadas à atenção e ao processamento da informação sensorial.

Tão importante é a relação da respiração com o cérebro, que Mulher de Classe traz os artigos de Luiz Felipe Silva e de Aline Pereira, que tratam dos efeitos da respiração na memória e no medo e dos exercícos de respiração para controlar a ansiedade, respecivamente. Boa leitura!

Importante: Estes conteúdos têm caráter informativo e nunca devem ser usados para definir diagnósticos ou substituir a opinião de um profissional. Consulte sempre um especialista de confiança para tratar distúrbios de saúde.


O ritmo da respiração afeta o cérebro,
alterando medo e memória.

Luiz Felipe Silva

THATCHAI WANITCHAKUN/SHUTTERSTOCK

O oxigênio que entra em nosso corpo, cada vez que inalamos o ar, atua não só nos pulmões, mas, também, diretamente em nosso cérebro. O ritmo com que aspiramos e inalamos o ar influencia a atividade elétrica no cérebro e atua diretamente no sistema límbico, responsável pelos julgamentos emocionais e memória.

A descoberta é resultado do trabalho “Respiração nasal impacta oscilações límbicas humanas e modula função cognitiva” [tradução livre], publicado no Journal of Neuroscience, desenvolvido pela Universidade de Northwestern.
De acordo com o artigo científico, as alterações cerebrais se dão, sobretudo, no movimento de inspiração pelo nariz.

Respiração e saúde
“Uma das principais descobertas neste estudo é que há uma diferença dramática na atividade cerebral na amígdala e hipocampo durante a inalação em comparação com a expiração”, afirma a professora Christina Zelano, líder do projeto. “Quando você respira, descobrimos que você está estimulando neurônios no córtex olfatório, amígdala e hipocampo, em todo o sistema límbico”.

No trabalho, os cientistas citam, inclusive, exercícios de meditação ou de respiração focada como eventuais auxiliares no desenvolvimento de uma boa relação entre a respiração e o cérebro. “Você está de certo modo sincronizando oscilações cerebrais através da rede límbica”, observam os autores.

Efeito acontece na inspiração
Os cientistas acompanharam dados eletrofisiológicos dos cérebros de pacientes em tratamento para epilepsia. Estes sinais elétricos mostraram que a atividade cerebral alterava de acordo com o movimento da respiração – e exatamente nas áreas do cérebro onde as emoções, a memória e o olfato são processados.

Os sinais neurais e, posteriormente, as pesquisas de comportamento confirmaram a hipótese de que funções cognitivas, como medo e memória, são afetadas pela forma como se respira. Principalmente a forma como se inspira o ar pelo nariz. Isso se demonstrou em duas pesquisas:

1) Memória
Um dos experimentos se dedicou a avaliar a relação entre respiração e memória, que é ligada à ação do hipocampo. Foram mostrados a um grupo de pacientes diversas imagens de objetos, e eles teriam que recordá-los. Foi constatado que o desempenho da memória é muito mais alto quando as imagens foram memorizadas durante a inalação do ar, em relação ao momento de aspiração.

2) Medo
Para medir como a respiração impacta o medo, foi pedido a 60 pacientes avaliarem imagens de pessoas em diferentes expressões faciais. O levantamento constatou que sistematicamente, ao avaliarem as imagens durante a inspiração, os pacientes eram capazes de identificar situações de amedrontamento muito mais rápido do que durante a expiração. O artigo explica que as reações de medo estão ligadas ao funcionamento da amígdala.
“Se você está em pânico, seu ritmo de respiração se torna mais rápido”, explica a professora Zelano. “Assim, a resposta inata do nosso corpo ao medo, com a respiração mais rápida, poderia ter um impacto positivo sobre a função cerebral e resultar em tempos de resposta mais velozes para estímulos perigosos no ambiente”, teoriza.


Exercício de respiração para controlar a ansiedade

Aline Pereira

THATCHAI WANITCHAKUN/SHUTTERSTOCK

A ansiedade e a angústia são problemas cada vez mais comuns no cotidiano cada vez mais acelerado de hoje.  Embora esses incômodos não indiquem, necessariamente, doenças graves, eles podem se desenvolver e contribuir para o desenvolvimento de depressão, síndrome do pânico e outras doenças psicossomáticas.
A boa notícia é que existem algumas técnicas simples que podem ajudar a amenizar a ansiedade com base no controle da respiração.
Quando o oxigênio circula de forma correta pelo corpo, a tendência é que o organismo relaxe e a mente se acalme, o que diminui as crises de ansiedade.

Técnica de yoga para controlar ansiedade
Na prática do yoga, o movimento pranayana, que em sânscrito significa “respiratório”, é a técnica utilizada para controlar a respiração. No yoga antigo, essa técnica era considerada como uma expansão da energia do corpo através de movimentos respiratórios estruturados.

Como fazer
Para utilizar essa técnica, deite-se em um local plano com as costas inteiramente encostadas no chão.
Relaxe o corpo e a mente e inspire profundamente, retendo a respiração sem fazer força.
Em seguida, expire lentamente e repita o processo.
Quando estiver inspirando repita o mantra OM mentalmente.
Esse exercício deve durar entre 20 e 25 minutos.



Os autores
: Luiz Felipe Silva é jornalista, produtor
de conteúdo e Sócio-diretor da Margem Sul.
Aline Pereira é jornalista, especialista em entretenimento,
edição de texto e apresentação de vídeos.
Os dois artigos foram publicados em vix.com/pt.