Vai casar? É hora de conversar sobre finanças e patrimônio

Por Thalita Evangelista

É muito comum receber clientes desejando divorciar, porém, com INÚMERAS dúvidas quanto à questão patrimonial.

E aí, quando explico toda a forma de partilha, sempre vem a frase “nossa, se soubesse disso teria feito diferente”, ou “isso não é justo, doutora”. E vejo que o problema é, na verdade, cultural!

As pessoas criam um tabu sobre esse assunto, como se definir a questão patrimonial antes de casar fosse quase que uma traição!

Algumas pessoas acreditam que separar os bens seja uma boa opção, porém, falar isso para o parceiro antes do casamento soa como “está casando já pensando em separar”.
Da mesma forma, existem pessoas que acreditam que o casamento é uma comunhão universal de duas vidas e que, portanto, o patrimônio todo deve se comunicar, mas, falar disso antes do casamento soa como “olha como fulana (o) é interesseira (o)”.

A grande verdade é: Essa escolha só diz respeito ao casal! Qual será o Regime adotado? Comunhão parcial? Comunhão Universal? Separação de bens? Nenhum desses?
Cabe somente ao casal se perguntar: você sabe quais os sonhos de consumo do seu noivo? Você sabe como sua noiva se vê, financeiramente falando, daqui há alguns anos? E você, quais são seus planos? O que pretende conquistar? Já compartilhou com seu parceiro? Já conversaram pra verificar se suas ideias batem?

Muitas vezes, aliás, o motivo do término decorre de problemas financeiros e de “planos diferentes”.
Você pode amar seu marido, confiar em sua esposa e, ainda assim, preferir gerir de forma diferente o seu próprio patrimônio. E tudo bem!

Conheça os regimes de bens existentes em nossa legislação, criem o de vocês, estipulem regras. O que é justo para vocês, pode não ser para a regra geral ou para um juiz.

Claro, existem casais que entendem que a comunhão parcial (que é a mais comum atualmente) é a melhor opção para a sua família, e tudo bem também, porém, cada dia mais, percebo que essa escolha somente é mais conveniente (e muitas vezes, justamente por não obterem mais informações), mas nem sempre atende o verdadeiro interesse das partes.

Inclusive, não raro, vejo casais que permanecem “casados no papel” para evitar uma partilha de bens que entendem injusta, e continuam a viver separados de fato. Ou seja: acabou a relação conjugal e a parte continua presa ao ex, por questões de cunho patrimonial.

É muito melhor “arrumar a casa” enquanto existe o amor e respeito, do que brigar por anos numa ação de divórcio em razão de bens materiais.
Devemos quebrar esse tabu. Patrimônio importa sim, planos importam, gestão financeira importa. E falar de tudo isso, inclusive, pode salvar muitos casamentos.

Pense nisso!

A autora: Thalita Evangelista é advogada, sócia de Thalita Evangelista Sociedade Individual de Advocacia e advogada associada da Panisa Sociedade de Advogados.
Colunista do JusBrasil, onde esse seu texto foi publicado.