Alimentação da criança dos 2 aos 4 anos

Você deve estar percebendo como seu filho está crescendo rapidamente desde que nasceu. Você está conseguindo entender a importância da alimentação nesse processo, não é? Para garantir o crescimento e o desenvolvimento conquistados até agora, é necessário continuar alimentando corretamente seu filho. A partir dos dois anos de idade, a continuidade do aleitamento materno fica a seu critério, pois o papel de proteção e de nutrição mais importante já foi cumprido.

10 passos para alimentação de crianças maiores de 2 anos
As orientações abaixo podem e devem ser seguidas por todas as pessoas da casa, pois não há nada melhor do que ter uma família saudável!

  • Passo 1
    Procure oferecer pelo menos três refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis por dia. Evite pular as refeições. Ensine a criança a comer devagar, mastigando bem os alimentos, assim ela aprenderá a apreciar a refeição. Essa é uma forma de prevenir a obesidade na infância, na adolescência e na vida adulta.
    Procure ofertar alimentos saudáveis – leia sempre os rótulos dos alimentos.
  • Passo 2
    Ofereça diariamente alimentos dos grupos dos cereais (arroz, milho, trigo, pães, massas) e dos tubérculos (batata, batata-doce, batata salsa aipim/mandioca, cará, inhame).
    Prefira: pão integral, arroz integral, batata ou aipim cozidos ou na forma de purê.
  • Passo 3
    Ofereça diariamente frutas, verduras e legumes para seu filho. São ricos em vitaminas, minerais e fibras, importantes para a proteção da saúde, e diminuem os riscos de ocorrência de várias doenças.
    Estimule o seu consumo, não se esquecendo de colocá-los na mesa. Coloque em todas as refeições um prato com frutas, verduras e legumes, aos poucos todos irão criar o hábito de comer estes alimentos.
    Prefira os produtos de época, são mais baratos e nutritivos.
    No café da manhã e nos lanches, sempre ofereça frutas.
  • Passo 4
    Ofereça feijão com arroz todos os dias, pelo menos uma vez por dia, ou no mínimo cinco vezes por semana. Esse prato é uma combinação completa de proteínas. O feijão é uma boa fonte de ferro e auxilia na prevenção da anemia.
    Para melhorar a absorção do ferro é importante ingerir suco de limão, laranja ou acerola, que são fontes de vitamina C. Para variar pode-se substituir o feijão por lentilha, grão de bico, ervilha seca ou soja.
  • Passo 5
    Procure oferecer diariamente leite e derivados (leite fermentado, iogurte, queijos magros), carnes, aves, peixes ou ovos. Leites e derivados são as principais fontes de cálcio da alimentação. Evite os queijos amarelos. Não substitua o leite e os derivados por refrigerantes ou sucos artificiais, pois podem interferir na ingestão diária adequada de cálcio pela criança. Retire a gordura aparente das carnes e a pele do frango antes de prepará-los.
    Evite o consumo de salsicha, linguiça, salame, mortadela e preparações fritas ou à milanesa (carne ou outro alimento passado no ovo e na farinha e depois colocado para fritar).
  • Passo 6
    Alimentos gordurosos devem ser evitados. Prefira alimentos assados, grelhados ou cozidos no lugar de fritos. Evite oferecer manteiga e banha de porco. Prefira o azeite de oliva, óleo de canola, de girassol, de milho ou de soja, mas não em excesso. Uma lata de óleo por mês é suficiente para uma família de quatro pessoas. Se usar margarina, prefira as que não tenham gorduras trans ou gordura hidrogenada como ingredientes. São prejudiciais à saúde! Leia sempre os rótulos dos alimentos!
  • Passo 7
    Evite o consumo diário de refrigerantes e sucos artificiais industrializados, bolos e biscoitos doces recheados, sobremesas doces e outras guloseimas. Ofereça-os no máximo duas vezes por semana, em pequena quantidade. O excesso no consumo desses alimentos contribui para o aumento do peso, das cáries dentárias e também de outras doenças.
  • Passo 8
    Modere o uso de sal. O sal em excesso pode contribuir para o aumento da pressão (hipertensão). Evite temperos prontos, alimentos enlatados, carnes salgadas e embutidos como mortadela, salame, linguiça etc. Todos eles contêm muito sal. Não leve o saleiro para a mesa. Use temperos naturais e pedaços de limão.
  • Passo 9
    Ofereça de seis a oito copos de água por dia. Incentive seu filho a tomar água nos intervalos das refeições. É muito importante para o bom funcionamento do organismo. O intestino funciona melhor e o corpo se mantém hidratado.
  • Passo 10
    Estimule seu filho para que seja ativo. Incentive que faça diariamente 30 minutos de atividade: saia para caminhar com ele, leve-o para andar de bicicleta, passear com o cachorro, jogar bola, brincar de amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, correr, dançar, pular corda ou fazer algum tipo de esporte. Não deixe seu filho passar muitas horas assistindo TV, jogando vídeo game ou brincando no computador.
    Mantenha o peso do seu filho dentro dos limites saudáveis para a idade dele. Acompanhe o gráfico de crescimento da Caderneta de Saúde do seu filho.

• A partir dessa idade a criança já pode comer a mesma comida da família. Não utilize temperos e condimentos fortes, como pimenta, mostarda, catchup, molho inglês, molho de soja tipo shoyo, tabletes de caldos de carne, galinha ou de outros sabores e temperos prontos: são excessivamente salgados, podem interferir na aceitabilidade da alimentação, irritar o estômago da criança e aumentar a pressão arterial.

• Utilize alimentos que fazem parte da cultura alimentar da família, pois isso é muito importante na formação de hábitos alimentares. Utilize as receitas da família, não esqueça de adaptar aquelas que tenham excesso de sal, açúcar e gordura. Substitua ou reduza a quantidade desses ingredientes e modifique a forma de preparar e, depois, teste novamente as receitas até conseguir um bom resultado. Depois, divulgue as alterações que fez nas receitas para todos os seus familiares. Explique para o seu filho a origem dessas receitas e a importância delas na alimentação da sua família, essa é uma forma de resgatar boas práticas alimentares e incentivar o consumo de alimentos mais saudáveis.

• Lembre-se de que os hábitos alimentares continuam em formação, portanto, quanto mais natural for o preparo do alimento, mais saudável ele será para a criança. Utilize temperos frescos como cebola, alho, salsinha, cebolinha e sucos de frutas como limão, laranja, ponkam, mexerica ou mimosa – esses temperos e sucos são fontes de vitaminas e minerais, sendo também importantes para o crescimento da criança. São ótimos substitutos para o sal.

• Cuide com os excessos, utilize os temperos e sucos de frutas em pequenas quantidades. Lembre-se de que o sabor dos temperos e dos sucos não deverá chamar mais atenção do que o sabor natural do alimento, pois isso pode interferir na aceitabilidade da preparação pela criança.

• Nessa idade é comum que a criança tenha alterações no apetite, podendo variar de um dia para outro. Não se preocupe, tente não forçar a criança a comer fazendo chantagens como oferecer prêmios ou dar castigos como, por exemplo: “Se você comer a cenoura, ganha um chocolate” ou “Se você não comer tudo, irá agora para cama sem TV”.

• Não faça seu filho criar uma relação confusa com a alimentação. Premiá-lo com doces poderá fazê-lo pensar que os doces são alimentos mais valiosos e desejáveis do que os vegetais e legumes. Castigá-lo poderá criar ansiedade e sofrimento toda vez que for o horário de comer.

• Esses tipos de atitudes podem prejudicar a formação de hábitos alimentares saudáveis.

• Quando a criança se recusar a comer o almoço ou o jantar, procure não substituir essas refeições por leite, biscoitos, iogurtes, chocolates etc. Diga que está tudo bem se ela está sem fome naquele momento, mas informe que você irá guardar o prato dela na geladeira (em recipientes tampados) e assim que a fome voltar, você irá esquentar e oferecer novamente.

• Pratique essas atitudes com firmeza e nunca brigue. A criança sabe até onde ela precisa chegar para conseguir o que quer. Nas primeiras vezes é natural que ela chore, que fique emburrada, mas tudo bem, não se estresse e não faça o que ela está pedindo, assim nas próximas vezes ela saberá que não serão realizadas substituições do almoço e do jantar e passará a reconhecer os tipos de alimentos que devem ser consumidos nessas refeições.

• Lembre que nessa e em muitas outras situações os filhos pedem limites, que são necessários para que se tornem mais seguros e mais saudáveis. Essa regra só não se aplica quando a criança está doente.

• Sempre que possível assista às programações infantis da TV junto com seu filho e, sempre que aparecer a propaganda de um alimento não saudável, explique porque este alimento não é considerado saudável. E não ceda às pressões que a mídia faz, não compre todos os dias o que você sabe não ser saudável e adequado para o seu filho.

• Mostre que existem alimentos melhores, como iogurtes, frutas, cereais com leite e sanduíche de queijo com pão integral. Explique porque esses alimentos são bons para ele. Aos poucos e desde cedo ele aprenderá também a fazer escolhas mais saudáveis.

• O ideal é ele aprender que pode comer de tudo, desde que tenha moderação e equilíbrio. Tudo é questão de medida: comer hambúrguer ou batata frita de vez em quando não é ruim; o perigo é comer diariamente e adotar essa prática como um hábito alimentar.

• Ir à feira com as crianças pode ser um jeito divertido de fazê-las conhecer as frutas, verduras e legumes; ao passar pelas barracas a curiosidade delas poderá ser um bom motivo para que provem os alimentos que ainda não conhecem.

• Leve seu filho à cozinha e peça ajuda para fazer uma salada ou outro prato saudável. Com certeza, ao final ela irá querer provar o que ajudou a preparar. Essa é uma maneira gostosa de ensinar seu filho a preferir alimentos mais saudáveis.

• Lembre que o resultado do seu esforço e dedicação fará com que seu filho carregue durante toda a vida hábitos alimentares saudáveis e adequados capazes de diminuir os riscos do desenvolvimento de doenças como desnutrição obesidade, diabetes, hipertensão, doenças do coração e alguns tipos de câncer.

• As práticas alimentares saudáveis aprendidas até agora devem servir de exemplo e incentivo para promover mudanças no comportamento alimentar de toda sua família, afinal sempre é tempo de aprender e de mudar, não é mesmo? Lembre-se: os pais são espelhos para os filhos – dê o exemplo.

 

Fonte: Alimentação Infantil – Cartilha de orientação aos pais, realização da Prefeitura
Municipal de Curitiba, Secretaria Municipal da Saúde – SMS, Centro de
Epidemiologia e Coordenação de Vigilância Nutricional.
Organização de Cristiane Aparecida Azevedo de Assis Machado,
Nutricionista do Centro de Epidemiologia SMS