O problema do mau hálito

Pela Dra. Jacqueline Chaves Duarte Palhares

“… O Portador do mau hálito acaba sendo discriminado em seu próprio grupo social…”


Os casos de halitose não podem ser explicados por um único mecanismo. A halitose tem mais de 50 causas que precisam ser bem investigadas e tratadas. Aproximadamente 90% dos casos têm origem bucal. Uma das causas mais comuns da halitose é a diminuição da quantidade de saliva, favorecendo a formação de uma placa bacteriana esbranquiçada na parte posterior da língua (saburra lingual).

A saburra é formada por restos alimentares e bactérias anaeróbias proteolíticas que se alimentam das células epiteliais descamadas, também presentes na saburra. Neste processo ocorre a liberação de compostos de cheiro desagradável (composto sulfurados voláteis-CSV), produzindo mau hálito.
A halitose se deve a vários possíveis motivos (causas primárias), que podem induzir a formação de saburra por xerostomia (diminuição do fluxo salivar). Se o objetivo é a cura da halitose, a causa primária de cada paciente, individualmente, precisa e deve ser investigada. Tratada a causa primária, a condição secundária (diminuição salivar; saburra lingual e mau hálito) desaparece.
São causas primárias:

  • uso de alguns tipos de medicamentos,
  • stress, ansiedade (causam diminuição da quantidade de saliva),
  • má higiene bucal,
  • cárie,
  • problema periodontal,
  • amigdalite,
  • sinusite,
  • cáseos,
  • adenoide,
  • hipoglicemia,
  • prisão de ventre,
  • diabetes,
  • alterações hepáticas, pulmonares, renais, intestinais e outras.

A halitose não é somente causada por problemas locais, mas pode também ser um indicador de desordens sistêmicas sérias.
Existem 3 tipos de pacientes:

  • 1) O que apresenta hálito e desconhece o fato (o indivíduo não percebe o seu próprio hálito porque está acostumado a ele. Quando o odor é constante, ocorre fadiga olfatória e por esse motivo não é percebido). As pessoas estariam prestando um favor ao portador da halitose em avisá-lo.
  • 2) Paciente apresenta hálito e sabe.
  • 3) Paciente reclama do hálito, mas não tem.

Hoje em dia já existe tratamento para o mau hálito e até mesmo um aparelho (Halimeter) que mostra se o paciente é portador de mau hálito e em que quantidade. Existe também o teste de fluxo salivar, para medir a quantidade de saliva.

O importante é diagnosticar o mau hálito, descobrir a causa e fazer o tratamento. Para o sucesso do tratamento, todas as orientações dadas pelo profissional ao paciente devem ser rigorosamente seguidas.

O mau hálito é um problema sério que tem solução e deve ser tratado, pois a sua repercussão psicológica e social é devastadora. O portador do mau hálito acaba sendo discriminado em seu grupo social. A halitose agride as pessoas que convivem com o portador, que começam então a se distanciar dele. O parceiro afetivo começa a evitar uma maior aproximação.

Quando o portador da halitose sabe do seu problema, ele fica inseguro e frio em seus contatos. Ele passa a ser discriminado em seu trabalho e na suas relações afetivas. Paciente com halitose tem maior predisposição a gastrite, amigdalite, pneumonia, periodontite e outras doenças (à medida em que a saburra se forma, ela passa a ser um meio propício também à instalação e à proliferação de microrganismos patogênicos cuja porta de entrada é a boca). Posteriormente, estes microrganismos poderão se instalar no sulco gengival (causando doença periodontal), nas amígdalas (causando amigdalite), nos pulmões (causando pneumonia), no estômago (caso do Helicobacter pylori, causando gastrite). Ao se tratar a saburra (e o hálito) estamos prevenindo o possível aparecimento de outras doenças sistêmicas, que têm como porta de entrada a cavidade bucal.

A autora: Dra. Jacqueline Chaves Duarte Palhares é Cirurgiã-dentista, membro
da Associação Brasileira de Odontologia, da Associação Brasileira de Estudos
e Pesquisas dos Odores da Boca (ABPO) e da ISBOR (International Society of Breath
Odor Research). Este artigo foi publicado no Jornal Estado de Minas de 29.5.00.

Visite www.halitopuro.com.br.