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-
- O verdadeiro profissionalismo
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Ricardo de
Almeida Prado Xavier |
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As fábulas de Esopo,
que viveu no Século VI antes de Cristo, atravessam os tempos com a
simplicidade que as torna imediatamente compreensíveis pelas
crianças e a sabedoria que as revelam úteis para aqueles que
querem conduzir melhor suas vidas e negócios. Uma delas conta a
relação entre o cavalo e seu tratador, que passava todo o tempo a
alisar, limpar e escovar o animal, mas, sorrateiramente, roubava
parte da aveia destinada à sua alimentação. “Que pena! Se o senhor
realmente desejasse me ver em boas condições, me acariciaria menos
e me alimentaria mais”, disse o cavalo. A moral da história é que
se deve desconfiar de quem procura agradar, mas deixa de fazer o
bem para o outro; são aqueles que procuram disfarçar com tarefas
menores o mal que fazem ou a omissão em cumprir com seu dever.
No que diz respeito à carreira, muito se pode
tirar dessa fábula tão curta e contundente. Podemos mencionar pelo
menos três ângulos que merecem uma boa discussão: a ética, o
serviço ao cliente e o direcionamento dos esforços.
Ética – fazer o que deve ser feito
O tratador deixava de dar a quantidade certa de
ração ao cavalo, numa flagrante derrapada ética. A serviço de uma
organização ou pessoa, o profissional tem a obrigação de fazer o
que deve ser feito para a realização dos objetivos da função.
Quando ele se furta a fazer o melhor, está lesando o cliente e de
nada adiantarão eventuais agrados e bajulações. O exercício zeloso
de uma função (escovar o cavalo) não exime o indivíduo da
responsabilidade pelas outras (dar a ração integral) e muito menos
autoriza uma ação ilícita, como o roubo da ração. Mais cedo ou
mais tarde, seu truque será descoberto e alguém dirá: “Que
pena! Você foi desonesto.”
Exemplos de comportamentos não éticos:
- Sonegar a informação adequada para que o colega
resolva um problema;
- Deixar de fazer o melhor negócio para o cliente
ou empregador, por negligência, preguiça, interesse pessoal;
- Usar recursos do cliente ou do empregador para
objetivos pessoais.
O serviço ao cliente
Além dos aspectos éticos envolvidos, há também o
da relação de prestação de serviço ao cliente. O tratador escovava
o cavalo com zelo, mas não fazia aquilo que mais serviria ao
animal. Ora, para prestar um serviço de real valor para um
empregador ou cliente, antes de qualquer coisa temos de perceber o
que efetivamente é mais útil para esse.
Isso quer dizer que falha o profissional que:
- Faz as coisas da própria cabeça, relutando em
aceitar as diretrizes da empresa;
- Não se preocupa em identificar com precisão a
necessidade do cliente;
- Direciona seus esforços e talento para aquilo
que quer e não para aquilo que é o melhor.
Eis que um dia o cliente simplesmente desaparece
ou o empregador apresenta o cartão vermelho. Afinal, quem não
ajuda, atrapalha!
Direcionamento dos esforços: tratar bem e alisar!
O profissional efetivamente interessado em ser
empregável e promovível preocupa-se, primeiramente, em não lesar
aquele a quem está servindo, isto é, em não roubar a ração do
cavalo. Segundo, busca ser efetivamente útil, isto é, procura
fazer as coisas corretas e mais fundamentais, de valor e
necessidade vital. Por fim, não custa nada escovar o cavalo, isto
é, procura colocar um “molho” especial, oferecer um plus, fazer
coisas que agradam. Com isso, sua visibilidade tende a aumentar e
sua reputação positiva espalha-se. Quando a empresa o promove está
cuidando do bem dela própria – e nada melhor que o interesse
próprio para levar os outros a nos levarem ao crescimento.
O profissional precisa lembrar-se sempre – e
principalmente – de que tudo o que faz, para o bem o para o mal,
acaba aparecendo. Embora nem sempre se perceba isso, todos estão
em vitrines de alta visibilidade, especialmente para aqueles que
estão mais próximos. Quem faz o certo terá boas referências de
ex-colegas, ex-chefes. Quanto a quem não se preocupa em plantar o
bem, que referências pode esperar?
Ricardo de Almeida Prado Xavier é administrador de
empresas e presidente da Manager Assessoria em Recursos
Humanos.
Este seu artigo foi publicado em
www.manager.com.br
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