Hoje as pessoas desejam fazer negócio com empresas que ofereçam serviços
agregados a seus produtos, antes, durante e após a venda. Eles procuram um
relacionamento de longo prazo, onde as necessidades individuais possam ser
atendidas não somente hoje, mas também no futuro.
A atual conjuntura brasileira aliada às mudanças que estão ocorrendo no
comportamento do consumidor ou cliente, quanto aos seus desejos,
necessidades e expectativas, exige uma nova abordagem para o Marketing.
Essa nova abordagem, que é o Marketing de Relacionamento, Fidelização,
Pós-Marketing, constitui-se na filosofia empresarial com base na aceitação
da orientação para o cliente e para o lucro por parte de toda a empresa, e
no reconhecimento de que se deve buscar novas formas de comunicação para
estabelecer um relacionamento profundo e duradouro com os clientes. É buscar
uma vida inteira de parceria.
Atualmente se fala muito em Fidelização de clientes, Marketing de
Relacionamento, CRM (Costumer Relationship Management) , é um discurso
bonito; mas poucas empresas estão conseguindo implantar programas que
atinjam desde o prospect até o que chamamos de defensores, que é o
consumidor que defende sua marca . Esse é o estágio máximo da fidelização
O que significa fidelizar clientes?
Segundo alguns dicionários, fiel é aquele que é digno de fé,
cumpre aquilo a que se propõe, sendo leal, honrado, verdadeiro, íntegro e
amigo. No mundo empresarial, cliente fiel é aquele que esteja envolvido,
satisfeito, ou melhor, encantado com um fornecedor a ponto de manter um
consumo freqüente, optando por uma empresa em particular, sempre que
necessitar de um determinado produto ou serviço.
Fiel, nos dias atuais, parece que só mesmo a torcida de futebol. O número de
divórcios aumenta na proporção em que diminui o de novos casamentos. No
campo do consumo, nem os gestores de marcas tradicionais podem se sentir
como antes: a adesão dos clientes a concorrentes novatos começa com uma
pequena traição chamada experimentação. Com tanto potencial de volubilidade,
não surpreende que as grandes empresas proclamem a fidelização como sua
prioridade número 1.
Num levantamento da publicação Meio & Mensagem, especializada em
publicidade, 40% dos 20 maiores anunciantes do país consultados declararam
que o principal objetivo de suas campanhas neste ano será dirigido para
resultados que consolidem os vínculos com os clientes -- em maior proporção
do que aqueles que visam reforçar a imagem institucional ou mesmo aumentar
as vendas e sua participação de mercado.
Um recente estudo internacional da consultoria McKinsey. Por vezes, segundo
o estudo, esforços que estimulem os clientes fiéis a gastar mais compensam
as perdas dos desertores. A McKinsey investigou como os moradores de 1 200
lares se relacionavam com 16 diferentes setores que vendem de cartões de
crédito e seguro de vida a celulares e itens de consumo rotineiro. Constatou
que existem, nesse universo, seis segmentos de consumidores. Três deles
podem ser considerados leais: mantêm ou ampliam continuamente seus gastos
com as empresas. Os demais grupos tendem a ser volúveis: gastam cada vez
menos e estão constantemente reavaliando as opções de compra. Por quê?
Mudaram seu estilo de vida ou estão descontentes com os produtos e serviços.
Uma descoberta foi a existência de um grupo predominante, que a McKinsey
chamou de "ponderados". Representam, em média, 40% dos clientes de cada um
dos 16 setores estudados. Costumam avaliar suas compras pelos quesitos de
preço, desempenho do produto e atendimento. Para eles, apelos emocionais
pouco contam. O prêmio para quem influenciá-los a gastar mais são resultados
duplamente superiores aos obtidos com os emotivos. Mas, como são teimosos,
convencer esses consumidores é sempre complicado.
Outra surpresa do estudo é que, na maioria dos setores, a insatisfação
representa uma pequena proporção das causas da migração dos consumidores.
Tome o exemplo de um banco que decidiu investir toda a sua verba para
corrigir falhas de atendimento.
Conseguiu, sim, reduzir o número de contas fechadas. Entretanto, o efeito
disso no balanço foi marginal. Os correntistas estavam depositando menos
porque suas necessidades haviam mudado. Muitos clientes estavam, por
exemplo, sustentando os filhos em faculdades caras. Os padrões que
influenciam a lealdade variam de setor para setor. Os ponderados, por
exemplo, representam mais de 70% dos grupos que gastam pouco com vestuário,
mas apenas um terço dos compradores de celulares. A lição é que ações para
fidelizar clientes não devem ser automáticas. É preciso primeiro conhecê-los
a fundo e só então agir.
Lembre-se: Vender hoje é mais cérebro do que
músculo.