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Para
filosofar
Juliana Marques
Com a proximidade do
Dia Internacional da Mulher, andei refletindo sobre as mulheres no mercado
de trabalho...
Quando pensamos sobre
isto, logo nos lembramos das desigualdades de tratamento que muitas
mulheres ainda sofrem em seus ambientes de trabalho, sendo preteridas em
promoções, não tendo o direito de expressar sua opinião, argumentar seu
ponto de vista ou corrigir o comportamento de um funcionário sem que seus
colegas (principalmente homens e, por incrível que pareça, mulheres
também) pensem que tal comportamento é resultado de uma crise pré
menstrual ou de uma frustração amorosa. Sem contar que várias de nós ainda
somos motivo de piadinhas por colocar uma roupa mais justa ou uma blusa
mais decotada, simplesmente por querer sentir-se mais bonita naquele dia.
As palavras "desigualdade" e "discriminação" são recorrentes em artigos
sobre o tema.
Também são comuns as
discussões sobre o aumento da presença das mulheres nas empresas, as
quais, aos poucos, estão ocupando cada vez mais posições de chefia, apesar
da diferença salarial ainda existente quando comparadas aos homens, fato
este impossível de se imaginar há 50 anos. Os especialistas tentam
explicar esta tendência através da análise do mercado de trabalho dos
últimos tempos, das qualidades que nos tornam profissionais mais
qualificadas para o cargo de chefia, como a “sensibilidade feminina”, e
tantas outras discussões.
Hoje em dia trabalhar
fora de casa é uma conquista que a maioria das mulheres quer alcançar.
Quem não quer ganhar o seu dinheiro próprio, ser independente e ainda ter
sua competência reconhecida por seus superiores e pares?
Cada vez mais a
sociedade nos impõe que, para sermos feliz, precisamos agora atingir todas
estas conquistas, metas, objetivos. Mas será que somente o sucesso
profissional nos traz felicidade? Mais importante do que atingir a posição
tão desejada, fazer aquele curso caríssimo com pessoas altamente
qualificadas, cuidar de tudo ao mesmo tempo, filhos, casa, carreira,
marido, mais importante do que tudo isto é saber o que nos trará
felicidade. Quando digo "felicidade" me refiro àquela que liberta a alma,
que nos faz sorrir sem culpa, sem remorso, nem sentimento de
inferioridade.
Particularmente,
acordar todos os dias sabendo que a empresa em que trabalho me reserva um
monte de desafios é muito motivador e me faz muito feliz. Conviver com
pessoas novas, sair da minha zona de conforto discutindo assuntos dos
quais tenho pouco conhecimento, ficar até mais tarde para entregar aquele
relatório detalhado e cheio de informações que a matriz solicitou em um
prazo curtíssimo, por incrível que pareça, me faz feliz. Esta é a vida que
eu sonhei desde a adolescência, quando decidi fazer Direito aos 15 anos
sem ter um único advogado na família!
Mas penso ser mais
fácil dizer isto agora que sou recém casada, sem filhos, com uma vida
inteira pela frente. Será que esta mesma vida me fará feliz daqui a quinze
anos, por exemplo?
Neste Dia
Internacional da Mulher, mais do que comemorar nossas conquistas, penso
que, acima de tudo, temos que olhar para dentro de nós e perguntarmos:
nossas conquistas estão nos fazendo mais felizes?
E você, é feliz?
A autora:
Juliana Marques é Gerente Jurídico Regional da Givaudan do Brasil
Ltda. e integrante do grupo Jurídico de Saias. Este artigo está
publicado em www.migalhas.com.br
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Inovação
Jurídico de Saias - Grandes
mulheres, grandes empresas
Com o intuito de tornar a pesada rotina de trabalho um pouco mais
descontraída e divertida e integrar profissionais de diversas companhias,
Josie Jardim, diretora jurídica da GE para a América Latina, resolveu
inovar e criou o
Jurídico de Saias, grupo formado por mulheres, em cargos de
liderança na área jurídica de grandes empresas, para a troca das mais
diversas experiências, tanto sobre a carreira quanto a vida pessoal dessas
executivas.
A idéia surgiu de forma absolutamente informal, durante uma reunião na
Amcham, Câmara de Comércio Norte-Americana. O grupo inicial era composto
por 14 advogadas de grandes empresas e, hoje, 50 mulheres já aderiram à
idéia.
O primeiro encontro foi oferecido pela GE e, algumas missões já foram
definidas pelo grupo. As advogadas estabeleceram, como objetivo inicial,
mentorar as carreiras de outras mulheres, em início de carreira, em
qualquer área da companhia e em ONGs apoiadas pelas empresas que trabalham.
E a idéia já saiu do papel: no próximo encontro, que ocorrerá em julho,
uma profissional de mercado na área de mentoring irá palestrar para o
Jurídico de Saias para ensinar como aconselhar e acompanhar a carreira das
novas executivas.
Como no Brasil existem poucas informações estatísticas sobre mulheres
advogadas em cargos de liderança, uma outra missão foi estabelecida pelas
executivas: realizar um levantamento qualitativo sobre as carreiras das
advogadas no mercado de trabalho brasileiro, para entender questões
cruciais como, por exemplo, a estagnação da carreira feminina em grandes
companhias.
O Jurídico de Saias é composto por executivas de
diversas empresas como Cargil, Embraer, Pirelli, Nokia, Siemens, Promon, O
Boticário, entre outras. O grupo foi estendido para as redes sociais e as
advogadas estão produzindo um web site que entrará no ar em breve. Josie
Jardim também pretende implementar a iniciativa no México.
Esta matéria foi
colocada no ar originalmente em 24/07/2009 no
www.migalhas.com.br/
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