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MULHERES SOFREM MAIS
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COM AS DOENÇAS OCUPACIONAIS
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Cristina Balerini
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......Eles
não recebem a mesma atenção que doenças como a hipertensão arterial, a
depressão ou o estresse, mas os chamados Dort (Distúrbios
Ósteo-musculares Relacionados ao Trabalho) são a maior causa de
afastamentos de mulheres do trabalho no Brasil. Somente nos últimos
cinco anos, foram abertas mais de 500 mil Cat’s (Comunicação de
Acidente de Trabalho) geradas pelos Dort's. O problema acomete ainda
mais as mulheres, já que fatores emocionais e biológicos contribuem
para uma maior exposição a essas doenças. Para cada dez casos, oito
ocorrem em mulheres.
......“A
palavra Dort não determina uma patologia, muito menos uma síndrome.
Refere-se a diversas patologias que podem ocorrer quando existe um
comprometimento ósteo-muscular que tenha ligação com a atividade de
trabalho desenvolvida. Essa sobrecarga pode ocorrer pela utilização
excessiva de determinados grupos musculares em movimentos repetitivos
com ou sem exigência de esforço localizado, ou pela permanência de
segmentos do corpo em determinadas posições por tempo prolongado”,
explica o presidente da Sociedade Paulista de Medicina do Trabalho,
Aizenaque Grimaldi.
Mas por que as mulheres?
......Segundo
Grimaldi, há fatores biológicos e sociais que contribuem para uma
maior exposição feminina ao problema. Geralmente, as categorias
profissionais que encabeçam as estatísticas dos acometidos pelos Dort’s
são ocupadas por pessoas do sexo feminino, como digitadoras,
operadoras de telemarketing, secretárias, entre outras. "Muitas
mulheres acabam exercendo as tarefas mais fragmentadas e repetitivas,
além de realizarem atividades com esforço também em seus lares".
Além disso, elas têm uma maior labilidade emocional, ou seja,
assimilam uma maior carga emocional com mais facilidade que os homens.
......Outro
fator que não pode ser esquecido está relacionado à questão hormonal,
principalmente quando falamos das alterações provocadas pelo período
menstrual, como a retenção de líquidos, o que aumenta o risco de
surgimento dos sintomas, já que pode haver maior dificuldade ao se
forçar determinados grupamentos musculares e ligamentos.
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Sintomas
- dor
- parestesia (formigamento)
- sensação de peso
- fadiga, geralmente nos membros superiores, mas podendo acometer
membros inferiores
O melhor remédio é a prevenção
......“O
primeiro passo é identificar os fatores de risco presentes no ambiente
de trabalho. O papel do médico do trabalho é fundamental no
diagnóstico precoce, no controle dos fatores de risco e na realocação
do trabalhador dentro de um programa de promoção da saúde, buscando a
prevenção de agravos ocupacionais, diminuição da possibilidade de
agravamento dos casos, além de encaminhar aqueles que necessitem de
reabilitação", avalia Grimaldi.
Fatores de risco que podem desencadear os Dort’s
......-
Na organização do trabalho: tarefas repetitivas e monótonas, obrigação
de manter ritmo acelerado de trabalho, excesso de horas trabalhadas e
ausência de pausas.
......-
No ambiente de trabalho: mobiliário e equipamentos que obrigam a
adoção de posturas incorretas durante a jornada.
- Em condições ambientais impróprias: má iluminação, temperatura
inadequada, ruídos e vibrações.
O estresse na vida da mulher
......Talvez
você já saiba que o medo de perder o emprego, a falta de tempo para
ficar com a família ou para o lazer, o excesso de horas de trabalho e
a convivência com pessoas difíceis e temperamentais são fortes
alavancadores das crises de estresse. Mas o que você talvez ainda não
saiba é que as mulheres têm sido as maiores vítimas deste mal.
......Segundo
uma pesquisa realizada no final do ano passado pela clínica carioca
Vita Check-up Center com 1.251 pacientes (990 homens e 261 mulheres),
com idade média de 44 anos, 42,7% das mulheres se encontravam em um
nível 2 de estresse – numa escala de 1 a 4 (*).
A pesquisa também apontou que as mulheres estão fumando mais que os
homens – 13,8% para 9,5%, respectivamente.
......“Esse
dado pode indicar que, enquanto o sexo masculino se afasta do hábito
de fumar, o cigarro pode estar ganhando adeptos entre as mulheres,
servindo como válvula de escape para o estresse”, avalia Antônio
Carlos Til, diretor da clínica.
......Quanto
à hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco
considerados em um check-up, as mulheres aparentaram mais controle e
cuidado com o problema – apenas 6% delas estão com a pressão acima da
média considerada normal (12 por 8), enquanto 15% dos homens
ultrapassaram os índices satisfatórios. “Porém, a capacidade
aeróbica é melhor entre os homens (43%), o que pode indicar que eles
levam os exercícios com mais seriedade. Neste item, as mulheres
aparecem com apenas 15% da capacidade considerada boa”.
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HOMENS
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MULHERES
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Idade média
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44,9
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-
41,7
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IMC médio
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27,3 (normal até 24,9)
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-
23,8
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Colesterol total
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217 (normal até 200)
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199
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HDL médio
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47,4 (ideal maior que 40)
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58
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Fumantes
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9,5%
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13,8%
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Capacidade aeróbica
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43%
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15%
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Quantos se dizem ativos
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53%
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42%
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Fatores de risco(pelo menos um)
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55%
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18%
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Hipertensão arterial
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15%
|
-
6%
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.....
Entre as mulheres, as causas do estresse são as mais variadas, com a
jornada dupla - ou tripla, quando a mulher também é mãe -, a intensa
competitividade e o sentimento de culpa por ter que trabalhar e deixar
os filhos. “Uma boa maneira de minimizar o estresse é por meio de
exercícios, descentralizando tarefas e tentando manter uma vida
emocional equilibrada. Não é fácil, mas é possível procurar uma
satisfação e maior cumplicidade com o parceiro na resolução desses
problemas diários”, comenta Márcia Merquior, doutora em Saúde
Coletiva pelo IMS (Instituto de Medicina Social) da Universidade
Estadual do Rio de Janeiro e responsável pelo departamento de
Avaliação de Estresse Emocional do Vita Check-up Center.
-
......*
Márcia comenta, abaixo, sobre os níveis existentes de estresse e
sintomas que apresentam. Fique atento:
......Nível
1 - Pessoas que estão com a vida calma, realizando suas atividades
sem nenhum nível de exigência e ansiedade. Neste nível estão as
pessoas que, apesar de exercerem atividades profissionais com certo
nível de exigência, administram bem o nível de estresse e ansiedade,
não permitindo que este interfira em sua qualidade de vida.
......Nível
2 - Neste nível já é possível detectar uma fase inicial de
estresse, onde as pessoas encontram-se submetidas às exigências
profissionais ou pessoais, com comprometimento de sua qualidade de
vida, apresentando sintomas como palpitações, irritabilidade, insônia,
dor de cabeça, dor no estômago... Diz-se que estão em "sinal de
alerta".
......Nível
3 - Aqui, os sintomas começam a ficar crônicos: taquicardias, ou
até mesmo o desenvolvimento de hipertensão, gastrite, tendência a
explosões, insônias constantes, enxaquecas, sudorese aumentada e
outros. Nesse nível encontram-se as pessoas que estão sempre
preparadas para a “guerra”.
......Nível
4 - Neste caso, há o agravamento dos sintomas, mas com
características de exaustão: o organismo como um todo exauriu suas
forças de guerra e sente-se derrotado, apresentando tendências
depressivas e autodestrutivas, como tendência há a busca pelo
alcoolismo e uso de medicamentos. A pessoa passa a sofrer de inibição
afetiva e sexual, insônias graves ou o inverso, só pensa em dormir,
desânimo e baixa produtividade em geral.
......”A
mulher vive em seu cotidiano uma angústia constante, com dores de
cabeça, falta de concentração e memória, irritabilidade, fobias. No
entanto, parece que a maioria se atém no nível 2, como se depois da
tempestade houvesse um genuíno aprendizado em como administrar todas
as variáveis e a ansiedade então diminuísse.”
......Especialistas
sugerem que, para combater o estresse, a primeira coisa a fazer é uma
lista das situações que não podem ser alteradas no dia-a-dia e das que
podem ser modificadas. A partir daí, cada ponto é trabalhado
diariamente. Buscar o equilíbrio é a saída mais eficaz contra o
estresse, buscando sempre dar uma maior atenção à saúde emocional e
mais tempo para você mesmo!
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Cristina Balerini é jornalista do Grupo Catho e este
seu artigo foi publicado no site daquela empresa. Contatos: fone:
(11) 3177-0700, ramal 296.
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