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Mulheres no mercado de trabalho
Ana Amélia Ramos de Abreu
Estamos em pleno século XXI, mas
ainda discutimos sobre o papel das mulheres no mercado de trabalho. Para
quem nasceu vendo a mãe trabalhar tanto ou mais que o pai, essa discussão
pode parecer tão estranha quanto discutir sobre a importância da internet
ou do celular nos dias de hoje. Mas a verdade é que se ainda precisamos
discutir esse assunto é porque ele é controvertido.
Entendo que o debate já não está
mais em questões superadas como, por exemplo, se a mulher deve ou não
trabalhar fora. O ponto crucial hoje é: sendo certo que a mulher já está
presente no mercado de trabalho, até onde nós conseguimos chegar
efetivamente?
A pesquisa feita pela revista
Análise (2009) traz uma resposta muito clara para essa pergunta quando
falamos do meio jurídico:
Diretoria ..................................................Homens x Mulheres
Equipe......................................................Homens x Mulheres
A leitura desses números é simples: estamos praticamente empatadas com os
homens no que diz respeito à presença no mercado de trabalho jurídico, mas
ainda estamos bem atrás quando se trata de cargos de liderança. É sobre
esse ponto que queremos tratar.
Quais são os reais motivos que nos levam a ocupar menos cargos de
liderança que os homens? Os especialistas no tema apontam alguns motivos:
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Mulheres, em posição de liderança, são mais agressivas que homens e, por
isso, sofrem mais resistências da equipe. Há um pouco de verdade nessa
afirmação, pois existem de fato mulheres que acreditam, equivocadamente,
que, para se igualar aos homens, precisam ser extremamente agressivas,
mas, há também, um bocado de estereótipo de que mulheres em posição de
comando são masculinizadas, estressadas e agressivas. Basta olhar ao
redor, para ver que, na prática, a situação não é bem essa, afinal
conhecemos homens e mulheres agressivos e não agressivos, logo, esse
estereótipo poderia ser aplicado a qualquer um dos gêneros.
-
Mulheres, mais do que os homens, possuem grande resistência de se
reportar a outras mulheres. Mais uma vez temos que lidar com o estereótipo
de que somos mais competitivas que os homens, que não somos amigas entre
nós, que observamos mais a aparência do que a competência de nossas
colegas, quando, na verdade, não passa de um simples mito, pois as
mulheres podem ser tão (ou mais) colaborativas quanto os homens,
-
Mulheres não sabem fazer networking e são pouco eficientes no marketing
pessoal. Concordo que realmente temos mais dificuldades que os homens
nesse aspecto. Se olharmos os barzinhos em horário de happy hour, 80% dos
freqüentadores serão homens e 60% deles estará, certamente, falando de
trabalho, projetos, metas, etc. Ainda temos muito que aprender.
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Mulheres são mais voltadas para a vida pessoal do que para o trabalho.
Jack Welch, recentemente, sentenciou que as mulheres, para chegar ao topo
da cadeia alimentar corporativa, devem deixar o trabalho consumir suas
vidas e esquecer o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Com todo
respeito ao excelente Jack Welch, discordo totalmente dessa frase, pois
acredito ser impossível, seja para homens ou mulheres, chegar à realização
plena sem ter um equilíbrio entre família, trabalho e saúde (física e
mental). Profissionais que pensam a longo prazo devem sim estar atentos a
esse equilíbrio, pois o profissional que fazia questão de passar horas no
trabalho, só via a família no fim de semana (quando não estava
trabalhando) e passava longe de uma academia, é coisa do passado e não do
futuro. Hoje, o mundo corporativo já entendeu que pessoas que conseguem
manter esse equilíbrio vivem melhor e quem vive melhor é um funcionário
mais produtivo, em todos os aspectos.
Diante disso, só podemos concluir que, tirando a questão do marketing
pessoal e do networking, não há motivos para os profissionais serem
divididos nos grupos "homens" e "mulheres", pois o correto é que sejamos
todos avaliados como indivíduos que somos e não como participantes de um
grupo, que cada vez mais se comprova heterogêneo.
Pelo dia internacional da mulher, encerramos com a seguinte frase de Susan
B. Anthony, grande defensora dos direitos das mulheres no século 19: "Men,
their rights and nothing more; women, their rights and nothing less." É só
isso que queremos.
Fonte:
Assistente jurídica da ThyssenKrupp Elevadores e integrante do grupo
Jurídico de Saias
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