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Mais
Com Menos
Josie Jardim
É chegado aquele
período do ano que pode ser tão frustrante para os que atuam em empresas.
É a hora da discussão acerca do orçamento do departamento jurídico para o
ano vindouro e da conversa acerca do valor agregados pelos profissionais
de direito, assunto que pouca ressonância encontra com os que nos encaram
como simples centros de custos.
É quase sempre a
mesma história, vamos ter de continuar a "fazer mais com menos". A
participação da empresa no mercado está crescendo e o número de
funcionários também, mas o chefe informa que não há espaço para a
contratação de novos advogados ou para aumento do orçamento para
escritórios externos.
Já passei por isso
tantas vezes que ao invés de chorar e fugir para abrir uma barraquinha de
vender coco na praia, vi por bem aprender que essa é uma das muitas regras
do jogo e que temos de ser criativos para dar conta do recado se quisermos
continuar no mundo corporativo. E é com base nos anos de labuta com as
planilhas orçamentárias e a falta de um time com gente suficiente para que
assim pudesse ser chamado, que desenvolvi algumas regrinhas básicas de
sobrevivência:
a) nem todo
contrato precisa ser revisado pelo jurídico. Vale a pena construir uma
matriz estabelecendo que somente contratos acima de determinado valor ou
sobre determinado assunto devem ser revisados antes de assinados.
b) Use e abuse
dos modelos de contratos que sejam justos para ambas as partes e avise
seus clientes internos de que caso eles consigam utilizar o seu modelo, a
aprovação e assinatura do mesmo será imediata.
c) Treine seus
clientes internos nas bases contratuais normalmente aceitas por sua
empresa, agilizando assim as fases da negociação. Você ou sua equipe
somente devem entrar para negociar as cláusulas sobre as quais restem
controvérsias reais e jurídicas.
d) Perca a
mania de corrigir tudo o que passa em sua mesa e de gastar seu tempo
trocando "porém" por "todavia". Cansei de ver advogados perdendo horas
discutindo determinada redação, sem que a dita cuja fizesse a menor
diferença, do ponto de vista de conteúdo.
e) Assuntos
relacionados ao bê-á-bá da área trabalhista podem e devem ser resolvidos
pelo departamento de RH.
Assuntos
relacionados à área de compras podem e devem ser cuidados pelo
departamento de compras.
g) Mais vale
um mau acordo do que uma boa demanda. Estabeleça processos de análise
prévia dos casos de forma a decidir se vale a pena defender-se ou buscar
um acordo. O seu tempo deve ser gasto nos casos que realmente importam
para a companhia.
h) Delegue.
Não interessa quão bom você é, aceite o fato de que as outras pessoas
podem realizar as tarefas de forma satisfatória, mesmo que não seja
exatamente igual à sua. Envolva-se profunda e pessoalmente nos temas que
realmente importam e daí sim, faça a diferença.
i) Gerencie
seu tempo. Incentive as pessoas a realizarem reuniões com agenda e tempo
determinados, faça resumo dos assuntos tratados e estabeleça as tarefas
que deverão ser realizadas.
j) Terceirize
de forma inteligente:
a) quando for necessário utilizar-se de determinada competência que
você ou seu time não possuem;
b) quando o trabalho for burocrático e não exigir conhecimento
profundo sobre o negócio da sua empresa.
c) quando você não
suportar cuidar de determinado assunto. É claro que nem sempre podemos
fazer isso, mas continuo achando que é um excelente critério, pois
tendemos a cuidar melhor e mais rapidamente, dos assuntos que gostamos.
E não se esqueça de
comprovar o seu trabalho e o da sua equipe com dados, métricas, planilhas
comparativas e gráficos. Tudo o que for necessário para que os não
advogados compreendam a diferença positiva que o departamento jurídico
faz. E quem sabe, no ano que vem, você tenha mais sorte e consiga ampliar
sua equipe ou resolva, de uma vez por todas, que o melhor mesmo é a
barraquinha na praia.
A Autora: Josie Jardim é
Diretora Jurídica da GE
para América Latina e integrante do grupo Jurídico de Saias. Este artigo
está publicado em
www.migalhas.com.br
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