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Gravidez e Sexo
(*)
Dra. Iracema Teixeira
.....A gravidez pode ser considerada como uma
fase marcada por um estado de tensão, devido à expectativa das grandes
mudanças que estão e continuarão a ocorrer. Tais mudanças envolvem os
aspectos biológico, psicológico e social. A mulher passa por uma revolução
hormonal e por profundas alterações em seu esquema corporal. Ela passa a
se ver e a ser vista de uma maneira diferente – um novo papel se define, o
de mãe.
.....Esta reorganização de identidade envolve
também o homem, pois a paternidade implica em se responsabilizar pela
criança que vai nascer e se ele vinha cumprindo uma função de protetor de
sua companheira, terá que se ajustar à sua nova condição. Com o nascimento
do primeiro filho, o casal passa à condição de família; um terceiro
elemento surge na composição da díade conjugal e, consequentemente, muita
coisa muda.
.....Esta “reviravolta” representa uma
possibilidade de atingir outros níveis de integração e amadurecimento de
ambos. Surge a necessidade de novas adaptações e ajustamentos, tanto no
sentido pessoal, quanto no interpessoal.
.....Contudo, a gravidez pode também ser uma
ameaça à relação que possui um frágil equilíbrio, onde a mulher poderá
excluir o parceiro de sua vida, o homem poderá sentir intenso ciúme do
filho que vai nascer, ou ainda quando um ou outro não conseguiu superar
uma dependência em relação à própria mãe podendo vir a se relacionar de
forma simbiótica com ela.
.....É importante enfatizar que nem todos os
casais vivenciam tais tensões e a intensidade com que são sentidas também
é extremamente variável.
.....Com relação à atividade sexual,
obviamente que sofrerá influências, não só em função dos aspectos já
mencionados, mas pela forte presença da visão judaico-cristã em nossa
cultura. O sexo tende a ser visto como imoral ou pecaminoso e a
maternidade como algo divino; o sexo tem como função básica a reprodução e
o prazer “permitido” na maternidade é o de gerar uma vida.
.....Dessa forma, ainda hoje maternidade e
sexo são duas situações que, para alguns casais, não se combinam, podendo
inclusive gerar conflitos emocionais tanto no homem, quanto na mulher.
.....Fundamentando-se em algumas crenças e
mitos religiosos, algumas inverdades surgiram, como: a penetração pode
machucar o bebê; a ejaculação dentro da vagina pode afogar o bebê; ser mãe
é algo sagrado, logo ter sexo durante a gravidez pode ser considerado como
culposo; toda atenção tem que ser dedicada ao bebê, nada mais é
importante, etc.
.....Na realidade, de acordo com algumas
pesquisas, a atividade sexual, durante a gravidez, sofre uma redução de 40
a 60%, em virtude de alguns fatores. No 1º trimestre: o medo de abortar,
sentimentos de rejeição à gravidez e/ou ao parceiro(a), desconfortos
físicos (náuseas, vômitos, asia, dor de cabeça, etc.), medo do futuro,
restrição religiosa, prescrição médica, etc.
.....Durante o 2º trimestre poderá haver um
aumento do desejo sexual e a atividade sexual pode ser retomada. Já no 3º
trimestre, o sexo pode ficar menos freqüente, devido à: baixa auto-estima
da mulher devido suas modificações corporais, diminuição do interesse do
parceiro, medos com relação ao parto, restrição médica, etc.
.....Como foi dito antes, alguns ajustes
serão necessários, inclusive na hora do sexo. As posições de lado ou de
costas são as mais confortáveis; a tradicional papai e mamãe precisa de
maior cuidado – o homem pode se deitar em cima da parceira desde que apóie
os braços sobre a cama, não soltando todo o peso sobre a barriga dela. O
sexo oral pode ser também uma boa alternativa.
.....A gravidez não é sinônimo de doença,
muito pelo contrário. Estando tudo bem clinicamente, o ato sexual é um
meio importante de aproximação amorosa para o casal.
(*) Dra. Iracema Teixeira é psicóloga
somáticotranspessoal, com especialização em Sexualidade Humana e
mestrado em Sexologia pela Universidade Gama Filho RJ. Este seu artigo
foi publicado em Saúde na Internet.
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