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- Depressão:Amante Causadora
- de Muitas Separações
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- Depressão é
uma doença muito comum em todas as sociedades. Tem aumentado sua
freqüência em populações mais jovens. É a segunda causa de morte
(por suicídio), superada apenas por acidentes entre os jovens
americanos.
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- Ocorre em
todas as idades, sua incidência atinge cerca de 6% da população, e
cerca de 20% das pessoas irão apresentar ao menos um episódio
depressivo ao longo da vida. Pode se apresentar de várias
maneiras, aí é que começa a complicação.
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A definição de
depressão pela Organização Mundial de Saúde (OMS), através da
Classificação Internacional de Doenças (CID - 10), implica que
devam estar presentes em graus variados de intensidade, nos
episódios típicos, humor deprimido, perda de interesse e prazer
nas atividades, energia diminuída levando a uma fadiga aumentada e
atividade diminuída.
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Podem ocorrer
idéias suicidas, e pessoas deprimidas suicidam trinta vezes mais
que a população geral.
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Hoje sabe-se que
a depressão é acompanhada por alterações em substâncias no Sistema
Nervoso Central, os neurotransmissores, principalmente a
noradrenalina e a serotonina. É também vista como uma condição
crônica em muitos casos necessitando tratamento prolongado.
Cerca de dois terços dos deprimidos não procuram ajuda médica, tentam
se tratar com receitas caseiras, uso de vitaminas, busca religiosa e
outros recursos.
Contudo a depressão não se limita a alterações neurobiológicas. É
antes uma experiência de profunda dor, que mobiliza os sentimentos
mais primitivos tanto no deprimido como nas pessoas com quem convive.
Ocorre que entre os deprimidos observa-se comportamentos que visam
reduzir o mal estar, e alguns destes comportamentos é que definimos
como "Amante" causadora de separações.
A
pessoa deprimida está com os piores sentimentos em relação a si mesma,
com idéias de culpa, de inutilidade, redução da auto-confiança e
auto-estima. É compreensível que alguém neste estado queira se livrar
dele, da maneira que puder. Que sinta inveja de quem não está
deprimido, e que fique mais amarga e hostil na convivência.
Muitas vezes o deprimido apresenta redução do desejo sexual, se o
parceiro não compreende, pode acusar o outro de estar com amante.
Outras vezes o deprimido pode ao contrário apresentar comportamento
promíscuo, buscando relações sexuais descabidas na tentativa heróica
de aliviar sua angústia. Pode fazer uso de bebidas alcoólicas e drogas
com a mesma finalidade. O bem estar é passageiro, o sentimento de
culpa e irritabilidade aumentam, o desempenho no trabalho fica mais
comprometido. Se neste momento de intensa fragilidade houver perda de
emprego, conflitos ou separações conjugais, o risco de suicídio se
potencializa.
Não
é hora de julgar comportamentos, é momento de compreensão - o
deprimido está fazendo o que pode para sobreviver, não que seja o
melhor, mas é o melhor que pode fazer.
Esta
pessoa que já se sente só, ficará realmente desamparada, e na
companhia dos piores sentimentos que pode experimentar.
Quando duas pessoas se unem, fala-se em comunhão de bens; que estarão
unidos na saúde e na doença, na alegria e na tristeza. Quanto à
comunhão de bens e união na saúde e alegria, não há grandes problemas,
contudo quando surgem os males, as doenças, as tristezas, o que era
antes meu bem pra cá, meu bem pra lá, muitas vezes culmina em
separação e acaba com meus bens pra cá, e seus bens pra lá - suas
doenças e seus males também.
Ninguém diria a uma pessoa com a perna fraturada, para ela andar fazer
passeios para a perna melhorar. É comum familiares, amigos e às vezes
médicos tentarem ajudar como podem. Dizem a pessoas deprimidas para
esquecer os problemas, ou que não tem problemas para se deprimir, que
existem pessoas em pior situação e não se entregam, ou sugerem férias
e passeios. A tolice é tão grande como quando o deprimido usa drogas
ou sexo para melhorar seu mal.
Partilhar e entender esta experiência de dor não é tarefa fácil e não
depende só de boa vontade. Depende de condição interna para acolher
até onde possível essa angústia, e encaminhar o companheiro que padece
desse mal a quem de competência para tratamento adequado.
A
metade dos deprimidos que procuram ajuda médica procuram clínicos, em
função de seu mal estar físico e certo preconceito quanto a procurar
psiquiatras. Após vários exames clínicos normais, e infelizmente
algumas prescrições de "calmantes", que mais agravam a depressão,
cerca de 5 % dos deprimidos chegam ao psiquiatra. Se o tratamento for
bem conduzido com uso de medicamentos, e algumas vezes auxílio de
psicoterapia, 80% dos casos respondem ao tratamento. Ainda existem
casos refratários a todos os tratamentos existentes.
Dedico este texto a todas as pessoas que experimentam ou
experimentaram a dor da depressão, tão difícil de ser expressa. Dedico
também a seus familiares e companheiros, na esperança de que possam
compreender melhor e respeitar essa dor, talvez a mais humana das
dores.
(*) Dr. Luís Carlos Calil é Professor da Disciplina de
Psiquiatria Clínica da FMTM - Especialista em Psiquiatria pela
Associação Brasileira de Psiquiatria e este seu trabalho foi
publicado na revista "Saúde
e Vida On-Line".
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