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Você é
prolixo ou lacônico?
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......Poderia perfeitamente usar as
expressões “fala demais” ou “fala de menos”, ao invés de prolixo ou
lacônico. Mas quis usar palavras menos corriqueiras para instigá-lo a
prestar mais atenção nas possibilidades. Ou melhor, quis que você se
questionasse sobre como tem sido a sua comunicação, principalmente no
seu relacionamento.
......Quem não fala, não ocupa seu lugar na
relação e não dá ao outro a chance de conhecê-lo. E quem fala demais,
corre o risco de ser chato e cansativo. De uma forma ou de outra, o que
acontece, na maioria das vezes, é que o parceiro perde o interesse em
estabelecer o diálogo, porque sabe que ou o outro não vai se expor, não
vai falar o que pensa e quer ou vai falar demais, ser repetitivo,
detalhista, redundante e confuso.
......E você poderia pensar: “mas o outro
deveria gostar de mim do jeito que eu sou”. É verdade, você tem razão.
Entretanto, se o intuito é evoluir e facilitar o exercício do amor, por
que não nos esforçarmos para melhorar e tornar mais interessante a nossa
relação?
......Tenho notado que as relações mais
duradouras, que já ultrapassaram a fase da paixão, da idealização e
ganharam em responsabilidades, rotina e compromissos familiares, perdem
facilmente a capacidade de entendimento através do diálogo, da
comunicação.
......Os casais reclamam um do outro,
alegando falta de compreensão, decepção em relação às atitudes dele,
enfim, comportamentos que mais revelam uma completa falta de
verbalização adequada do que um problema realmente sério e difícil de
ser solucionado.
......Mas não estou me referindo ao simples
ato de engolir as palavras do outro como flechas ou abrir a boca e
disparar acusações indiscriminadamente. Estou me referindo, antes, ao
desejo de entender o outro, a intenção comprometida e respeitosa de
ouvi-lo, de tentar absorver os sentimentos impressos em suas palavras,
da compaixão de conseguir se colocar no lugar dele e interpretar
carinhosamente (ou ao menos amigavelmente) o que ele está dizendo.
......Por outro lado, também me refiro à
decisão madura e pacífica de falar considerando o outro. Porque o que
vejo são casais carregando suas frases de críticas, acusações, defesas e
justificativas contaminadas, enfim, uma comunicação completamente
distorcida e pesada, que agride até quem está de fora, ouvindo por
acaso, sem fazer parte da situação.
......Claro que os dois sempre acreditam
que têm razão, que são os incompreendidos. No entanto, alguém tem que
parar esta roda envenenada e destruidora de amores para reverter a
situação e estabelecer uma nova dinâmica, um novo jeito de dialogar
adequadamente.
......É fácil? Claro que não, ainda mais
quando os dois já estão cansados do “fala demais” ou “fala de menos” de
cada um. O que fala demais tem a constante sensação de não estar sendo
ouvido, e o que fala de menos tem a constante impressão de não agüentar
mais ouvir e sente-se cada vez menos motivado a falar por não encontrar
espaço ou não acreditar na possibilidade de obter resultados através das
intermináveis e cansativas conversas.
......Observe se a palavra ou a ressonância
interna mais aplicada na sua comunicação com seu parceiro é o “não”, a
negação, o negativo. Tem casais que nem escutam o que o outro quer
dizer, a opinião ou explicação de algo. Simplesmente iniciam suas
réplicas com um imperativo “não”, invalidando qualquer tentativa do
outro de se justificar ou se colocar na situação.
......Sugiro que você comece, que você dê o
primeiro passo neste novo jeito de funcionar. Antes de qualquer coisa,
reconheça-se: você é prolixo (fala demais) ou lacônico (fala de menos)?
A partir de então, perdoe o outro por ser “isso” ou “aquilo”. Perdoe,
inclusive, a si mesmo e seja humilde a ponto de se colocar no lugar de
aprendiz.
......Obviamente, o ideal é que haja
equilíbrio. Não é porque você descobriu que falava demais que vai agora
parar de falar. Ou então, não é porque falava de menos que vai
desembestar a falar sem parar. O ritmo mais adequado é aquele em que os
dois conseguem falar, um de cada vez e, principalmente, que enquanto um
fale, o outro interessadamente escute, respeite e considere a verdade e
o sentimento confidenciados em cada palavra. Depois, absorvidos de si
mesmos e do outro, que possam realmente se comprometer com a mudança,
com o desejo de conquistarem-se e agradarem-se, importando-se com a
felicidade mútua e o amor verdadeiramente compartilhado...
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Rosana
Braga
é
jornalista, escritora, coordenadora de projetos editoriais e consultora
em comportamento humano. Este seu artigo foi publicado em
www.somostodosum.com.br
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