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SÃO PAULO
25 de janeiro de 2009
455 anos de sua fundação
A cidade de São
Paulo e sua história
A
fundação de São Paulo insere-se no processo de ocupação e exploração das
terras americanas pelos portugueses, a partir do século XVI.
Inicialmente, os colonizadores fundaram a Vila de Santo André da Borda
do Campo (1553), constantemente ameaçada pelos povos indígenas da
região. Nessa época, um grupo de padres da Companhia de Jesus, da qual
faziam parte
José de Anchieta e
Manoel da Nóbrega, escalaram a serra do mar chegando ao planalto de
Piratininga onde encontraram "ares frios e temperados como os de
Espanha" e "uma terra mui sadia, fresca e de boas águas". Do ponto de
vista da segurança, a localização topográfica de São Paulo era perfeita:
situava-se numa colina alta e plana, cercada por dois rios, o
Tamanduateí e o Anhangabaú.
Nesse
lugar, fundaram o Colégio dos Jesuítas em 25 de janeiro de 1554, ao
redor do qual iniciou-se a construção das primeiras casas de taipa que
dariam origem ao povoado de São Paulo de Piratininga.
Em
1560, o povoado ganhou foros de Vila e pelourinho mas a distância do
litoral, o isolamento comercial e o solo inadequado ao cultivo de
produtos de exportação, condenou a Vila a ocupar uma posição
insignificante durante séculos na América Portuguesa.
Por
isso, ela ficou limitada ao que hoje denominamos
Centro Velho de São Paulo ou triângulo histórico, em cujos vértices
ficam os Conventos de São Francisco, de
São Bento e do Carmo.
Até o
século XIX, nas ruas do triângulo (atuais
ruas Direita,
XV de Novembro e
São Bento) concentravam-se o comércio, a rede bancária e os
principais serviços de São Paulo.
Em
1681, São Paulo foi considerada cabeça da Capitania de São Paulo e, em
1711, a Vila foi elevada à categoria de Cidade. Apesar disso, até o
século XVIII, São Paulo continuava como um quartel-general de onde
partiam as "bandeiras", expedições organizadas para apresar índios e
procurar minerais preciosos nos sertões distantes. Ainda que não tenha
contribuído para o crescimento econômico de São Paulo, a atividade
bandeirante foi a responsável pelo devassamento e ampliação do
território brasileiro a sul e a sudoeste, na proporção direta do
extermínio das nações indígenas que opunham resistência a esse
empreendimento.
A área
urbana inicial, contudo, ampliou-se com a abertura de duas novas ruas, a
Líbero Badaró e a Florêncio de Abreu. Em 1825, inaugurou-se o primeiro
jardim público de São Paulo, o atual
Jardim da Luz, iniciativa que indica uma preocupação urbanística com
o aformoseamento da cidade.
No
início do século XIX, com a independência do Brasil, São Paulo firmou-se
como capital da província e sede de uma Academia de Direito,
convertendo-se em importante núcleo de atividades intelectuais e
políticas. Concorreram também para isso, a criação da Escola Normal, a
impressão de jornais e livros e o incremento das atividades culturais.
No
final do século, a cidade passou por profundas transformações econômicas
e sociais decorrentes da expansão da lavoura cafeeira em várias regiões
paulistas, da construção da estrada de ferro Santos-Jundiaí (1867) e do
afluxo de imigrantes europeus. Para se ter uma idéia do crescimento
vertiginoso da cidade na virada do século, basta observar que em 1895 a
população de São Paulo era de 130 mil habitantes (dos quais 71 mil eram
estrangeiros), chegando a 239.820 em 1900!). Nesse período, a área
urbana se expandiu para além do perímetro do triângulo, surgiram as
primeiras linhas de bondes, os reservatórios de água e a iluminação a
gás.
Esses
fatores somados já esboçavam a formação de um parque industrial
paulistano. A ocupação do espaço urbano registrou essas transformações.
O
Brás e a
Lapa transformaram-se em bairros operários por excelência; ali
concentravam-se as indústrias próximas aos trilhos da estrada de ferro
inglesa, nas várzeas alagadiças dos rios
Tamanduateí e
Tietê. A região do
Bixiga foi ocupada, sobretudo, pelos imigrantes italianos e a
Avenida Paulista e adjacências, áreas arborizadas, elevadas e
arejadas, pelos palacetes dos grandes cafeicultores .
As
mais importantes realizações urbanísticas do final do século foram, de
fato, a abertura da
Avenida Paulista (1891) e a construção do
Viaduto do Chá (1892), que promoveu a ligação do "centro velho" com
a "cidade nova", formada pela
rua Barão de Itapetininga e adjacências. É importante lembrar,
ainda, que logo a seguir (1901) foi construída a nova estação da São
Paulo Railway, a notável
Estação da Luz.
Do
ponto de vista político-administrativo, o poder público municipal ganhou
nova fisionomia. Desde o período colonial São Paulo era governada pela
Câmara Municipal, instituição que reunia funções legislativas,
executivas e judiciárias. Em 1898, com a criação do cargo de Prefeito
Municipal, cujo primeiro titular foi o
Conselheiro Antônio da Silva Prado, os poderes legislativo e
executivo se separaram.
O
século XX, em suas manifestações econômicas, culturais e artísticas,
passa a ser sinônimo de progresso. A riqueza proporcionada pelo café
espelha-se na São Paulo "moderna", até então acanhada e tristonha
capital.
Trens,
bondes, eletricidade, telefone, automóvel, velocidade, a cidade cresce,
agiganta-se e recebe muitos melhoramentos urbanos como calçamento,
praças, viadutos,
parques e os primeiros arranha-céus.
O
centro comercial com seus escritórios e lojas sofisticadas, expõe em
suas vitrinas a moda recém lançada na Europa. Enquanto o café excitava
os sentidos no estrangeiro, as novidades importadas chegavam ao Porto de
Santos e subiam a serra em demanda à civilizada cidade planaltina.
Sinais telegráficos traziam notícias do mundo e repercutiam na
desenvolta imprensa local.
Nos
navios carregados de produtos finos para damas e cavalheiros da alta
classe, também chegavam os imigrantes italianos e espanhóis rumo às
fazendas ou às recém instaladas indústrias, não sem antes passar uma
temporada amontoados na famosa hospedaria dos imigrantes, no
bairro do Brás.
Em
1911, a cidade ganhou seu
Teatro Municipal, obra do arquiteto
Ramos de Azevedo, celebrizado como sede de espetáculos operísticos,
tidos como entretenimento elegante da elite paulistana.
A
industrialização se acelera após 1914 durante a Primeira Grande Guerra
mas o aumento da população e das riquezas é acompanhado pela degradação
das condições de vida dos operários que sofrem com salários baixos,
jornadas de trabalho longas e doenças. Só a gripe espanhola dizimou oito
mil pessoas em quatro dias.
Os
operários se organizam em associações e promovem greves, como a que
ocorreu em 1917 e parou toda a cidade de São Paulo por muitos dias.
Nesse mesmo ano, o governo e os industriais inauguram a exposição
industrial de São Paulo no suntuoso Palácio das Indústrias,
especialmente construído para esse fim. O otimismo era tamanho que
motivou o prefeito de então,
Washington Luis, a afirmar, com evidente exagero: "A cidade é hoje
alguma coisa como Chicago e Manchester juntas".
Na
década de 20, a industrialização ganha novo impulso, a cidade cresce (em
1920, São Paulo tinha 580 mil habitantes) e o café sofre mais uma grande
crise. No entanto, a elite paulistana, num clima de incertezas mas de
muito otimismo, frequenta os salões de dança, assiste às corridas de
automóvel, às partidas de foot-ball, às demonstrações malabarísticas de
aeroplanos, vai aos bailes de máscaras e participa de alegres corsos nas
avenidas principais da cidade. Nesse ambiente, surge o irrequieto
movimento modernista. Em 1922,
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Luís Aranha, entre outros
intelectuais e artistas, iniciam um movimento cultural que assimilava as
técnicas artísticas modernas internacionais, apresentado na célebre
Semana de Arte Moderna, no
Teatro Municipal.
Com a
queda da bolsa de valores de
Nova Iorque e a Revolução de 1930, alterou-se a correlação das
forças políticas que sustentou a "República Velha". A década que se
iniciava foi especialmente marcante para São Paulo tanto pelas grandes
realizações no campo da cultura e educação quanto pelas adversidades
políticas. Os conflitos entre a elite política, representante dos
setores agro-exportadores do Estado, e o governo federal, conduziram à
Revolução Constitucionalista de 1932 que transformou a cidade numa
verdadeira praça de guerra, onde se inscreviam os voluntários, se
armavam estratégias de combate e se arrecadavam contribuições da
população amedrontada mas orgulhosa de pertencer a uma "terra de
gigantes".
A
derrota de São Paulo e sua participação restrita no cenário político
nacional coincidiu, no entanto, com o florescimento de instituições
científicas e educacionais. Em 1933, foi criada a Escola Livre de
Sociologia e Política, destinada a formar técnicos para a administração
pública; em 1934,
Armando de Salles Oliveira, interventor do Estado, inaugurou a
Universidade de São Paulo; em 1935, o Município de São Paulo ganhou,
na gestão do prefeito Fábio Prado, o seu Departamento de Cultura e de
Recreação.
Nesse
mesmo período, a cidade presenciou uma realização urbanística notável,
que testemunhava o seu processo de "verticalização": a inauguração, em
1934, do
Edifício Martinelli, maior arranha-céu de São Paulo, à época, com 26
andares e 105 metros de altura!
A
década de 40 foi marcada por uma intervenção urbanística sem precedentes
na história da cidade. O prefeito Prestes Maia colocou em prática o seu
"Plano de Avenidas", com amplos investimentos no sistema viário. Nos
anos seguintes, a preocupação com o espaço urbano visava basicamente
abrir caminho para os automóveis e atender aos interesses da indústria
automobilística que se instalou em São Paulo em 1956.
Simultaneamente, a cidade cresceu de forma desordenada em direção à
periferia gerando uma grave crise de habitação, na mesma proporção,
aliás, em que as regiões centrais se valorizaram servindo à especulação
imobiliária.
Em
1954, São Paulo comemorou o centenário de sua fundação com diversos
eventos, inclusive a inauguração do
Parque Ibirapuera, principal área verde da cidade, que passou a
abrigar edifício diversos projetados pelo arquiteto
Oscar Niemeyer.
Nos
anos 50, inicia-se o fenômeno de "desconcentração" do parque industrial
de São Paulo que começou a se transferir para outros municípios da
Região Metropolitana (ABCD, Osasco, Guarulhos,
Santo Amaro) e do interior do Estado (Campinas, São José dos Campos,
Sorocaba).
Esse
declínio gradual da indústria paulistana insere-se num processo de "terciarização"
do Município, acentuado a partir da década de 70. Isso significa que as
principais atividades econômicas da cidade estão intrinsecamente ligadas
à prestação de serviços e aos centros empresariais de comércio (shopping
centers, hipermercados, etc). As transformações no sistema viário vieram
atender a essas novas necessidades. Assim, em 1969, foram iniciadas as
obras do metrô na gestão do prefeito Paulo Salim Maluf.
A
população da metrópole paulistana cresceu na última década, de cerca de
10 para 16 milhões de habitantes. Esse crescimento populacional veio
acompanhado do agravamento das questões sociais e urbanas (desemprego,
transporte coletivo, habitação, problemas ambientais ...) que nos
desafiam como "uma boca de mil dentes" nesse final de século. No
entanto, como dizia o grande poeta da cidade,
Mário de Andrade:
"Lá fora o corpo de São Paulo
escorre vida
ao guampasso dos arranhacéus"
Fonte:
Departamento do Patrimônio Histórico
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