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Ninguém
resiste a um
close
Aneli
Belluzzo Simões
A
transmissão da versão 2010 da Copa do Mundo de Futebol trouxe uma
inovação tecnológica que capta em câmera lentíssima expressões e
movimentos dos jogadores e técnicos durante todo o desenvolvimento da
partida, gerando tomadas fabulosas. Porém uma imagem que causou grande
impacto foi captada por uma câmera comum que revelou um momento íntimo
do técnico da seleção alemã, que despreocupadamente enfiava o dedo no
nariz, esculpia uma bolinha e a colocava na boca. Antes desse flagrante
ele já estava causando frisson
entre o público feminino, por sua elegância européia, seu
look moderno e fino. Acabou aí
sua breve carreira de pop star.
As lentes
do mundo não perdoam deslizes principalmente dos ídolos, e uma vez
surpreendidos em atitude inconveniente têm sua imagem manchada ou mesmo
reduzida a pó. Já na Roma antiga, olhares escrutadores conseguiram
empanar o brilho da biografia do guerreiro Marco Antônio, amante de
Cleópatra, revelando à sociedade que organizava orgias, se vestia com
uma bela pele de pantera como o deus Dionísio, usava um penico de ouro e
que, sob uma rede, se protegia dos mosquitos nos desfiles militares.
Em
Hollywood, muitos ídolos tombaram diante de lentes implacáveis. Rock
Hudson, galã que protagonizou os sonhos românticos e eróticos de
milhares de mulheres por décadas, na verdade tinha seus próprios sonhos
protagonizados por rapazes. Nem a fleuma inglesa de Hugh Grant escapou
dos respingos de lama depois de uma arriscada aventura com uma
prostituta americana num estacionamento perto de Los Angeles.
Até o
beatle John Lennon, compositor de “Imagine”, o hino dos que sonham com
um mundo onde reine a paz e a harmonia, também não resistiu a um
close que denunciou seus
rasgos de agressividade contra amigos e familiares. Quem poderia
imaginar??
E quando
voltamos nossa objetiva para os políticos, exemplos pululam por todo o
planeta. Vimos o então presidente da Rússia Bóris Yeltsin dançando
bêbado em frente às câmeras sem medo de ser feliz, ou cochilando em reuniões. Bill Clinton, uma das personalidades
mais respeitáveis e simpáticas da atualidade, deixando-se enredar num
escândalo sexual com Monica Lewinsky. E aqui em terras tupiniquins os
políticos não deixam por menos, produzem cenas patéticas e
constrangedoras como a do então presidente Itamar Franco se divertindo em plena Sapucaí ao lado
de Lílian Ramos, esta sem calcinha! E o lamentável show dos mensaleiros
escondendo dinheiro até em cuecas! Aliás, esse show tem tantos
participantes que comporta um capítulo à parte.
Ídolos e
celebridades que são pegos cometendo deslizes recebem punições leves ou
severas que geralmente não correspondem à gravidade do ato cometido, mas
sim à disposição que seu público tem em culpá-los ou absolvê-los. Nossos
vizinhos argentinos, por exemplo, cultivam seus ídolos, perdoam todas
suas escorregadelas e com certeza chorarão com Maradona a derrota na
Copa. Afinal, ele é “El pibe querido”!
A
autora:
Aneli Belluzzo Simões é graduada em
Letras pela
Universidade de S. Paulo; Pedagogia e Administração Escolar pela
Faculdade de Ciências, Letras e Educação de Presidente Prudente.
- professora nas
Secretarias de Educação de S. Paulo e Paraná;
- professora do curso pré-vestibular Avanço do Ensino Programado
- assessora técnica da diretoria da Federação dos
Trabalhadores Rurais do Estado de S. Paulo
- assistente técnica em projetos de
desenvolvimento urbano da Themag Engenharia
- elaboradora de itens para o SARESP ( Sistema de
Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de S. Paulo) e SIADE
(Sistema de Avaliação do Desempenho da Instituições Educacionais do
Sistema de Ensino do Distrito Federal).
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