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A gripe suína
Dr. Drauzio Varella
Medidas para reduzir o risco de infecção
e de transmissão do
vírus da influenza A.
Não é
de hoje que o vírus da gripe suína anda à espreita. Gripes resultantes
da recombinação de genes dos vírus influenza dos porcos, das aves e do
homem têm sido identificadas em porcos norte-americanos desde 1998,
causando 12 casos de infecção humana no período de 2005 a 2009.
Nos dias 15 e 17 de abril de 2009, no entanto, os americanos
identificaram dois casos de gripe causados por um vírus de origem suína
caracterizado como H1N1, nos quais havia uma combinação de genes ainda
não identificada em infecções humanas: o vírus S-OIV.
Foi o
início da primeira pandemia de gripe dos últimos 40 anos; a primeira do
século 21.
Acabam de ser publicadas as características dos primeiros pacientes
americanos que adquiriram essa gripe. Conhecê-las pode ser útil neste
momento em que o vírus se espalha entre nós.
Entre
15 de abril e 15 de maio de 2009, foram identificados 642 casos, em 41
estados americanos. A idade variou de 3 meses a 81 anos. Um total de 40%
apresentava entre 10 e 18 anos, e apenas 5% tinham mais de 51 anos. Essa
distribuição inverte aquela das gripes sazonais, que atingem
principalmente os mais velhos e as crianças pequenas.
É
possível que as crianças e os adultos jovens sejam realmente mais
suscetíveis ao S-OIV ou que a interação social entre esses grupos
retarde o acometimento dos mais velhos. Pode ser, ainda, que estes
apresentem certo grau de proteção cruzada adquirida às custas de
anticorpos resultantes de infecções anteriores por outros vírus
influenza H1N1.
Os
sintomas mais comuns foram febre (94% dos casos), tosse (92%) e dores de
garganta (66%). Além deles, diarréia e vômitos, queixas raras nas gripes
sazonais, estiveram presentes em 25% dos casos.
Dos
399 pacientes com informações disponíveis, 9% precisaram ser
hospitalizados, 8 dos quais foram internados em unidades de terapia
intensiva e 4 precisaram de ventilação mecânica. Uma criança de 23 meses
e uma mulher de 30 anos, previamente sadias, permaneciam gravemente
enfermas no momento da publicação do estudo. Faleceram uma criança de 22
meses portadora de miastenia gravis e uma mulher grávida de 33 anos.
A
disseminação ocorre principalmente através das gotículas expelidas na
tosse e nos espirros, do contato com as mãos e objetos manipulados pelos
doentes e do contato com material gastrointestinal, nos casos em que há
diarréia e vômitos.
O
período de incubação vai de 2 a 7 dias.
A
maioria dos pacientes pode espalhar o vírus do primeiro dia antes da
instalação dos sintomas a 7 dias depois de seu desaparecimento.
Entretanto, em crianças pequenas e em adultos com o sistema imunológico
debilitado esse período pode ser mais longo.
Os
grupos com maior risco de desenvolver complicações são as crianças com
menos de 5 anos, mulheres e homens com mais de 65 anos, crianças ou
adultos portadores de doenças crônicas e as mulheres grávidas.
Duas classes de medicamentos antivirais estão indicadas no tratamento
das gripes sazonais: os inibidores da neuramidase (oseltamivir e
zanamivir) e as adamantanas (rimantadina e amantadina).
O
S-OIV é sensível aos inibidores da neuramidase, mas resistente às
adamantanas. Neste momento, a eficácia clínica do oseltamivir e do
zanamivir é mal conhecida.
Dada
a impossibilidade de administrar essas drogas a todos e à possibilidade
de o uso indiscriminado tornar o vírus resistente aos antivirais, o
tratamento deve ser indicado apenas nos casos confirmados, com
prioridade para os pacientes hospitalizados e para aqueles que
apresentam mais riscos de complicações.
A
prevenção é feita com o isolamento domiciliar dos doentes. Os cuidados
com as secreções respiratórias são de importância decisiva. Pacientes e
contatuantes devem lavar as mãos com água e sabão com muita freqüência,
porque essa medida simples reduz o risco de infecção e de transmissão.
O autor:
Drauzio Varella é médico oncologista e escritor brasileiro,
conhecido por popularizar a medicina em seu país, através de programas
de rádio e TV. Foi também um dos fundadores da Universidade Paulista e
da Rede Objetivo, onde lecionou física e química durante muitos anos.
Este artigo está publicado n site oficial do Dr. Varella -
www.drauziovarella.ig.com.br |