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Hipertensão já
atinge 3O% dos brasileiros
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Quando o assunto é hipertensão, os números não são nada
animadores. Estima-se que 30% da população brasileira sofra desse mal, o
que representa mais de 50 milhões de pessoas. Ainda mais preocupante é
saber que desse total, apenas cerca de 7 milhões tratam do problema. A
popular pressão alta já é conhecida como doença desde a década de 1940
e, atualmente, é encarada como um problema de saúde pública. Apesar do
surgimento de medicamentos a partir dos anos 1950 que permitiram um
maior controle do quadro, os números referentes ao problema não param de
crescer.
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A
preocupação é mais do que justificável, uma vez que o aumento da pressão
arterial também eleva as chances de o indivíduo ser vítima de alterações
circulatórias ma região cerebral, cardíaca e renal. O resultado disso
atende por nomes conhecidos como acidente vascular cerebral (derrame),
infarto, falência dos rins, entre outros. Todas essas situações são
gravíssimas e, muitas vezes fatais, mas podem ser evitadas com o devido
controle da pressão.
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“São três os fatores importantes que ajudam a elevar a pressão arterial:
obesidade, sedentarismo e sal em excesso. Além disso, têm outras
doenças, como o diabetes, que causam vasculopatias (qualquer moléstia
dos vasos sanguíneos) nos rins, pernas, levando ao enrijecimento da
parede dos vasos dessas regiões”, afirma Ítalo Lazaroto de Oliveira,
cardiologista do Hospital São Luiz. Outros fatores que levam à
hipertensão, assegura o médico, são o colesterol elevado e tabagismo.
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Por
pressão arterial entende-se a pressão interna dos grandes vasos que
servem de passagem para transporte de sangue pelo organismo. Quanto mais
baixa for, melhor, com exceção dos casos raros em que é tão mínima que é
tida também como doença. Quando se faz a medição, obtém-se
simultaneamente dois tipos de pressão: a sistólica, que é a de maior
valor, e a diastólica. A primeira refere-se ao momento em que o coração
contrai para impulsionar o sangue oxigenado pelo corpo. Depois disso, o
músculo cardíaco relaxa e dilata ao mesmo tempo em que recebe o sangue
desoxigenado a partir do átrio direito.
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De
maneira geral, o quadro é considerado como sendo hipertensão quando a
pressão sistólica fica acima de 140 milímetros de mercúrio e a
diastólica superior a 90. Para o médico assistente da Unidade de
Hipertensão do Instituto do Coração (Incor-HC), Dante Marcelo Giorgi,
cada ponto nessa escala é muito importante e faz diferença. “Quando
se trata de pressão alta, vale ressaltar que uma medição que aponte 136
é bem menor que outra de 140. Quatro milímetros de mercúrio a menos em
uma população grande diminuem entre 15% e 20% o número de infartos,
derrames e outras doenças cardiovasculares”,
afirma o
especialista, que também é secretário da Sociedade Brasileira de
Hipertensão (SHB).
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O diagnóstico
é simples e o tratamento contínuo
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Medidas simples
como atividade física e diminuição de sal na alimentação já teriam um
grande impacto no combate à hipertensão. De acordo com o cardiologista
Dante Marcelo Giorgi, do Instituto do Coração (lncor), uma rotina de
caminhada de 40 a 60 minutos durante, pelo menos, três vezes por
semana já fatia diminuir a pressão entre quatro e oito pontos. Com a
redução do cloreto de sódio, o sal, aconteceria algo semelhante.
Segundo o médico, se fosse reduzido o consumo pela metade, a pressão
cairia quatro pontos, o que representa uma diminuição de 15% a 20% dos
casos de derrame e de doenças cardiovasculares.
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“O
diagnóstico da hipertensão é relativamente simples. É necessária mais
de uma medição de pressão, em três ou quatro momentos diferentes.
Também se faz a análise de outros fatores de risco, como diabetes ou
problema cardíaco já instalado”, explica Giorgi. Segundo ele, é
importante que todos meçam a pressão, no mínimo, uma vez por ano.
Quando já é sabido da existência do quadro, o número sobe para dois ou
três; quando está controlado, deve-se medir, pelo menos, duas vezes.
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A falta de
diagnóstico e de tratamento é que faz a doença abrir as portas para
quadros mais graves. Com a existência do problema, os vasos passam a
ser perigosamente agredidos. Esses canais são internamente cobertos
por uma delicada camada que é danificada com a passagem do sangue em
alta pressão. Com o decorrer do tempo eles endurecem e se estreitam,
podendo entupir-se ou romper-se.
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“Em 95% dos
casos de pressão alta, a causa é primária, pois o indivíduo já nasce
com o quadro. Nesses casos, o hipertenso não apresenta nenhum sintoma.
Pode estar com pressão altíssima e ao mesmo tempo estar rindo. Por
isso que é conhecida como o mal silencioso. Se der um medicamento para
ele, esse paciente pode até passar mal porque não está acostumado com
níveis baixos”, explica Ítalo Lazaroto de Oliveira (cardiologista
do Hospital São Luiz). Os outros 5% dos casos são classificados como
secundários, decorrentes de causa renal (renovascular), foecromocitoma
(tumor benigno que produz hipertensão) e hiperaldosteronismo (produção
excessiva do hormônio aldosterona, que é caracterizada, entre outras
coisas, por hipertensão). Nessas situações, surgem sintomas como dor
de cabeça, dor no peito e visualização de luzes.
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Brasileiro
consome quatro vezes mais sal
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do que o
necessário
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O
tratamento da hipertensão é contínuo e só pode ser indicado pelo
cardiologista. Geralmente é possível apenas o controle, que é feito
à base de medicamentos anti-hipertensivos e mudanças de hábitos.
Esse último item envolve atividade física, combate à obesidade e
diminuição do sal. Quanto ao cloreto de sódio (sal), vale dizer que
ele não deve ser abolido da alimentação, uma vez que o corpo precisa
dele para cumprir algumas de suas funções. No entanto, ele ajuda na
retenção de líquidos, o que faz a pressão subir.
Também é fato
que algumas pessoas são mais sensíveis ao sal do que outras. Para
estas, o exagero de consumo é mais danoso.
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Estimativas
apontam que os brasileiros ingerem, em média, de quatro a cinco
colheres (de café) de sal, o equivalente a dez gramas por dia. Mas o
corpo precisa apenas de 2,5 gramas, quantia que é inferior a uma
colher.
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Oldair de Oliveira é
editor do Suplemento de Saúde do Metrô News
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Fonte: Saúde &
Você, suplemento da edição nº 161 do Metrô News.
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