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......Uma pesquisa do
sindicato italiano de trabalhadores da saúde apontou que um terço dos
sete mil médicos empregados nos hospitais da região do Vêneto (norte
da Itália) sofria com abusos morais no ambiente de trabalho, ou seja,
era desqualificado ou submetido a situações vexatórias por seus
superiores. Um cirurgião entrou na Justiça depois de ser injustamente
acusado de desempenhar mal sua função e ser rebaixado para um posto de
trabalho menor, recebendo apenas metade de seu salário.
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......Este
caso, que foi divulgado no Brasil num artigo da juíza Marcia Novaes
Guedes, espelha uma realidade também comum no nosso país. Em tese de
mestrado na Pontifícia Universidade Católica (PUC), a médica do
trabalho Margarida Barreto entrevistou mais de dois mil trabalhadores
no ano de 2000. e, no exterior, como mobbing. Isso quer dizer
que foram propositadamente subutilizados (para dar-lhes a sensação de
inutilidade) ou rebaixados, alvo de comentários maldosos e
constrangedores, de medidas autoritárias por parte de seus superiores,
ou receberam críticas extremas e despropositadas.
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......O
assédio moral sempre existiu nas relações trabalhistas, mas ganhou
"enorme impulso" na década de 90, com a globalização, o aumento de
competitividade e a conseqüente reengenharia das empresas. A
reestruturação corporativa vem aumentando a pressão pelo desempenho do
profissional e forçando o corte máximo de custos. Daí, muitos patrões
praticarem o assédio para forçar demissões sem precisar arcar com
despesas trabalhistas. Tanto que, no caso italiano citado acima, o
mobbing começou após a privatização dos hospitais do Vêneto, em
1996. E afetava principalmente os médicos de 40 a 50 anos, ou seja, os
que tinham mais tempo de casa e custavam mais caro aos cofres do
hospital.
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......No
Brasil, o fenômeno é quase um lugar-comum. Quem não conhece um
executivo com mais de 40 anos que teve seu conhecimento e sua
experiência desprezados pelos superiores e foi forçado a se demitir,
para ser subtituído por alguém mais jovem (leia-se barato) ou por um
funcionário terceirizado? O que não quer dizer que o assédio moral
também não afete os mais novos. Em tempos de downsizing
(redução de custos e pessoal), por conta da competição exacerbada
entre as empresas de todo o planeta, os que não aguentam a pressão
podem ser "encurralados" a pedir demissão. E como o Brasil não tem
nenhuma lei federal que puna essa prática, temos de comemorar a
crescente percepção dos juízes trabalhistas em relação aos danos que
ela tem trazido aos trabalhadores.
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......Esse
lado nefasto da globalização (que tanto incentivou o compartilhamento
de informações e de culturas) contrasta com as técnicas mais modernas
de recursos humanos, que apostam em melhorias no ambiente corporativo,
relações de trabalho mais equilibradas, criatividade e aproximação dos
funcionários com a identidade mercadológica da empresa, por exemplo.
Resta torcer para que a Justiça seja cada vez mais combativa aos
"patrões terroristas" e que eles percebam que um espaço de trabalho
saudável traz mais frutos e, certamente, mais lucros.