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Risco
de doenças do coração
.....Pesquisa avaliou o estado nutricional de
200 mulheres entre 35 e 65 anos e concluiu que há pouca diferença de
obesidade entre elas. Isso pode significar maior chance de apresentarem
doenças do sistema circulatório. .....Cerca de 88% das mulheres com idades
entre 35 e 65 anos apresentaram alto risco de desenvolverem doenças
cardiovasculares. Esse número expressivo é resultado de uma pesquisa
realizada no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Nutrição Humana
Aplicada (Pronut), uma parceria entre a Faculdade de Ciências
Farmacêuticas (FCF), a Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade (FEA) e a Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
.....A nutricionista Ana Paula França foi
responsável pelo mestrado que avaliou 200 mulheres no Ambulatório de Saúde
da Mulher no Climatério (Asmuc), do Centro de Saúde Escola "Geraldo de
Paula Souza", da FSP. Ela trabalhou com o climatério, período que se
inicia com a diminuição de produção de estrogênio pelos ovários. "No
Brasil, os estudos relacionando à mulher nesta fase da vida e o estado
nutricional são escassos", explica Ana Paula.
.....Segundo a pesquisadora, a literatura
internacional aponta que a menopausa pode implicar aumento de peso, pois a
queda dos níveis de estrogênio provoca diminuição do metabolismo basal, ou
seja, o organismo da mulher passa a gastar menos energia. "Somando-se a
isso, hábitos alimentares inadequados e inatividade física, aumenta a
tendência a engordar. E a obesidade está diretamente relacionada aos
problemas cardiovasculares", afirma. .....Para a análise, as mulheres foram
dividas em três grupos: as que menstruavam regularmente; as que se
encontravam na perimenopausa, ou seja, tinham falhas de mais de três meses
no ciclo; e as que já estavam na menopausa, isto é, não menstruavam há,
pelo menos, 12 meses. .....Ana Paula fez medições da obesidade, por
meio do Índice de Massa Corporal (IMC), que é a divisão do peso pela
altura ao quadrado; do percentual de gordura, pelo método da bioimpedância
elétrica, que verifica a composição corporal a partir da resitência à
passagem de corrente elétrica; e da relação cintura-quadril, que aponta
com eficiência o risco de doenças do sistema circulatório. "A divisão da
medida da cintura pela do quadril, quando é superior a 0,85 em mulheres,
indica risco maior para desenvolver doenças cardiovasculares. Isso ocorre
porque a gordura acumulada no abdômen está relacionada à inúmeras
alterações metabólicas, como à resistência à insulina, à hipertensão e ao
aumento do colesterol prejudicial", esclarece.
.....Analisando os resultados, a pesquisadora
notou que, praticamente, não há diferenças no grau de obesidade, e de
obesidade abdominal entre os três grupos de mulheres. "Isso pode
significar que, mesmo as mulheres mais jovens, que ainda não passaram pela
menopausa, podem apresentar um maior risco de doenças no coração".
.....Além disso, o estudo verificou que cerca
de 50% das mulheres eram sedentárias ou insuficientemente ativas. "É
preciso enfatizar a importância de uma dieta equilibrada e da atividade
física para a prevenção de inúmeros agravos à saúde, relacionados,
sobretudo, à doença cardiovascular, principal causa de mortalidade no
Brasil", conclui.
Fonte: Agência USP
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