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- Dívidas: o que pagar primeiro
quando a situação apertar?
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- Marcel Steiner
A vida do endividado não é nada fácil. É
extremamente angustiante ter o nome na lista dos inadimplentes e
dormir sabendo que quitar as dívidas se tornou uma tarefa praticamente
impossível.
Em alguns casos, as pessoas acabam emocionalmente
abaladas e vêem sua vida pessoal desmoronar. Existem várias razões que
podem levar uma pessoa a enfrentar dificuldades financeiras e se
endividar. Na maioria dos casos, são dificuldades temporárias, e aqui
a recomendação é que você se esforce ao máximo, cortando tudo o que
pode, de forma a sair o mais rápido desta situação.
Informe-se sobre condições dos financiamentos
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Porém, em alguns casos, mesmo após todo este esforço, ainda não é
possível arcar com o pagamento de todas as dívidas, de forma que resta
a dúvida sobre qual privilegiar na hora do pagamento.
Quem respondeu que a prioridade deve ser dada à
dívida cuja taxa de juro é mais elevada, esqueceu que nos
financiamentos de bens existe o risco de retomada. Este é um risco que
não pode ser ignorado, pois caso a retomada se confirme, você perde
tudo aquilo que já pagou pelo bem.
Assim, é preciso analisar com calma as condições
estabelecidas nos vários contratos de financiamento que você possui,
antes de tomar uma decisão quanto ao que priorizar.
Eletrônicos e eletrodomésticos
- Se
você atrasar o pagamento de uma prestação de eletrodoméstico em 10 a
15 dias, seu nome certamente irá parar em alguma lista de
inadimplentes. A inclusão no cadastro de inadimplentes é bastante
rápida, por outro lado, é bastante improvável, dado o valor do bem,
que os credores venham exigir a sua retomada imediata.
O mais comum é que seu nome seja enviado ao
cadastro de inadimplentes, mas que o bem não seja retomado
imediatamente. Afinal, este processo é bastante custoso e, às vezes,
não compensa ao comerciante ir atrás do seu liquidificador ou
microondas. Você ficará com o nome sujo na praça, mas pelo menos sua
cozinha continuará em ordem.
Vale destacar que a idéia aqui não é de, em
absoluto, advogar que esta prestação não deva ser paga, mas sim que,
considerando suas limitações de caixa, acabe tendo prioridade mais
baixa na quitação. Uma alternativa é vender o bem alvo do
financiamento, de forma a obter recursos para efetuar uma quitação
antecipada do financiamento. Depois, como um maior planejamento
financeiro, você pode até voltar a comprar o aparelho, mas quando seu
endividamento for menor.
Cartão de crédito
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Seguindo a escala de prioridades, o cartão de crédito é a segunda
dívida que pode ficar em atraso. Mesmo com os juros elevados, cerca de
10% ao mês, é preferível atrasar o cartão por um mês do que deixar de
pagar outras prestações mais importantes, como a do financiamento do
carro.
Além dos juros, é importante lembrar que você
terá que pagar multa de 2% ao mês por atraso no pagamento, mas esta
multa incide apenas uma vez sobre o valor do pagamento mínimo. Porém,
vale lembrar que o objetivo aqui é estabelecer prioridades, e entre os
males, é preferível escolher o menor.
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- Cheque especial
- O
cheque especial pode ser o terceiro a ser deixado de lado. Funcionando
da mesma forma do cartão, com juros de cerca de 8% ao mês em média, o
cheque especial pode aumentar ainda mais suas dívidas.
Para os que não planejam bem as contas e acabam
optando por sustar o cheque antes que o mesmo seja devolvido, vale
lembrar que, neste tipo de situação, também é cobrada uma tarifa
adicional. Segundo dados do Banco Central, a tarifa média cobrada
nestes casos é de R$ 8,95, podendo, contudo, chegar a R$ 53,50. Caso o
cheque não seja sustado a tempo, e, portanto, acabe devolvido por
falta de fundos, o gasto médio é de R$ 11,06, mas pode alcançar R$ 35!
Além disso, a inclusão, e eventual exclusão no
cadastro de inadimplentes, pode acarretar gastos ainda maiores. Aqui
se fala também de tarifa por evento. Ainda que a tarifa média de
inclusão no cadastro seja de R$ 18,56 e a de exclusão seja de R$
21,20, a tarifa máxima, em cada um dos casos, pode chegar a R$ 100!
Assim, a inclusão e posterior exclusão do cadastro podem, na pior das
hipóteses, custar R$ 200!
Financiamento de carro e casa
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Atrasar o pagamento da prestação do automóvel ou da casa própria pode
gerar conseqüências bem negativas. Mesmo com os juros mais baixos do
mercado, em torno de 3% ao mês, no caso dos autos, e de pouco mais de
1%, no caso dos imóveis, você corre o risco de retomada do bem.
Por se tratar de bens de maior valor agregado, os
bancos e financeiras são mais rápidos e tendem a pedir a retomada em
no máximo três meses. Caso isso aconteça, você corre o rico de perder
o carro (ou a casa) e ainda continuar devendo, sobretudo, no caso do
financiamento de auto.
Isso porque, ao contrário do que acontece com o
imóvel, o veículo sofre depreciação, ou seja, vale menos do que quando
foi comprado, o que é mais difícil de acontecer no caso dos imóveis.
Assim, neste caso, a financeira leva o auto a
leilão, e com o dinheiro da venda precisa pagar também as despesas com
todo este processo, como o trabalho do oficial de Justiça, advogados,
guincho, estacionamento etc. Em alguns casos, mesmo vendendo o carro,
o dinheiro da venda não é suficiente para cobrir o saldo devedor e
todos estes gastos extras, de forma que resta um saldo a ser quitado.
Ainda que existam momentos em que seja preciso
priorizar os pagamentos, o ideal é que você consiga recuperar o seu
equilíbrio financeiro o mais rápido possível, e para isso é importante
estabelecer um plano de quitação das suas dívidas. Por equilíbrio
entende-se não ter mais do que 30% do seu orçamento mensal líquido
comprometido com o pagamento de prestações. Use este limite para
ajudá-lo a tomar decisões de consumo.
Sempre que uma nova compra elevar o seu
endividamento para acima deste teto, você deve optar por adiar a
compra até conseguir quitar outra dívida. Lembre-se: quando o grau de
endividamento é muito alto, temos uma sensação ilusória de controle,
uma vez que basta uma pequena adversidade financeira para você se
endividar novamente.